ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/10/2025
Desde a década de 1980, movimentos culturais como o hip hop e o grafite emergiram nas periferias das grandes cidades brasileiras, revelando as vivências e as lutas de comunidades marginalizadas. Essas manifestações artísticas, carregadas de significados sociais e políticos, são essenciais para a cultura nacional, mas enfrentam desafios para seu reconhecimento e valorização no cenário cultural do país. O preconceito social, a ausência de espaços institucionais acessíveis e a falta de políticas públicas eficazes limitam a legitimação da arte periférica.
Um dos principais obstáculos é a dificuldade de acesso aos centros culturais tradicionais, que se concentram em áreas centrais das cidades, afastadas das periferias. Essa separação geográfica e simbólica reduz a circulação das obras e o reconhecimento dos artistas periféricos. Além disso, a hegemonia das artes eruditas acaba por desvalorizar expressões como o funk, o rap e o grafite, fundamentais para a identidade cultural das periferias.
Também é importante destacar o preconceito social e econômico que recai sobre essas manifestações. A arte periférica é frequentemente estigmatizada, dificultando sua inserção no mercado cultural e o acesso a recursos. A falta de investimentos públicos e privados limita o desenvolvimento desses artistas, mantendo-os à margem da cultura oficial e comprometendo a continuidade de suas produções.
Para superar esses desafios, o poder público deve implementar políticas culturais inclusivas, criando espaços acessíveis, editais específicos e programas de capacitação para artistas periféricos. Paralelamente, a sociedade precisa desconstruir preconceitos por meio da educação e da valorização da diversidade cultural como patrimônio nacional. Assim, a arte de periferia poderá ocupar o lugar que merece no cenário cultural brasileiro, refletindo a pluralidade e riqueza do país.