ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 17/10/2025

O sociólogo francês Pierre Bourdieu afirmava que a cultura é um espaço de disputa simbólica, onde certos grupos têm mais visibilidade do que outros. No Brasil, essa ideia reflete a realidade da arte produzida nas periferias, que, apesar de sua riqueza e diversidade, ainda enfrenta dificuldades para ser reconhecida no cenário cultural. Essa problemática surge, principalmente, de dois fatores: o preconceito social que marginaliza os artistas periféricos e a falta de apoio público e privado para a divulgação e o financiamento dessas produções.

Nesta perspectiva, o preconceito estrutural. Muitas vezes, a arte de periferia é associada a estereótipos negativos, sendo vista como algo “menor” ou sem valor estético. Isso impede que artistas periféricos tenham espaço em galerias, teatros e festivais tradicionais. Segundo dados do Instituto Locomotiva (2022), apenas 17% dos artistas de periferia conseguem viver exclusivamente de sua arte. Para enfrentar esse problema, é necessário promover campanhas de valorização cultural e inserir produções periféricas em eventos e espaços artísticos reconhecidos, permitindo maior visibilidade e quebra de preconceitos.

Paralelamente, a escassez de investimentos e editais voltados a projetos culturais de base comunitária. Em muitos casos, esses artistas dependem de iniciativas independentes para divulgar seu trabalho. De acordo com o Mapa da Cultura (2023), mais de 60% das produções culturais de periferia não recebem nenhum tipo de apoio financeiro. Para resolver, o poder público deve ampliar políticas como a Lei Paulo Gustavo e a Lei Rouanet, criando editais específicos para territórios periféricos, enquanto empresas privadas podem apoiar projetos locais por meio de incentivos fiscais.

Portanto, os desafios para a valorização da arte de periferia no Brasil estão ligados ao preconceito social e à falta de apoio institucional. Para superá-los, o Estado deve investir em políticas de inclusão cultural e financiamento; as escolas e a mídia precisam divulgar produções periféricas; e a sociedade deve reconhecer a importância dessa arte como forma legítima de expressão. Assim, será possível construir um cenário cultural mais justo, diverso e representativo, no qual todos os artistas tenham voz e espaço para transformar realidades.