ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 03/11/2025

A escritora Marilene Chauí afirma que, ´´Os animais são seres naturais, os homens, seres culturais´´, promovendo a importância da valorização da arte e da cultura na sociedade. Todavia, no Brasil atual, nota-se a desvalorização da arte periférica no país. Deste modo, cabe uma análise sobre os principais fatores desta problemática, o histórico preconceito à arte periférica e a inação estatal.

Primeiramente, a desvalorização da arte de periferia advém desde a criação da nação brasileira. Em consonância, o livro ´´O povo brasileiro´´, escrito pelo antropólogo Darcy Ribeiro, defende que a maneira a qual a sociedade brasileira organizou-se, marginalizando e privando o povo pobre do acesso à arte e à cultura erudita e, posteriormente, menosprezando a arte produzida nas regiões periféricas, criou um imaginário exclusivo no Estado. Sob este prisma, nota-se a herança desta lógica preconceituosa na sociedade atual, visto que artistas de periferia tem menos chances de reconhecimento à suas obras devido ao preconceito sofrido por suas origens, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça. Portanto, a herança deste viés exclusivo perpetua a desvalorização da arte.

Outrossim, a incapacidade do Estado em mitigar a desvalorização da arte periférica perpetua o esvaziamento da arte supracitada. Em paralelo, o livro ´´Dicionário da Política´´, do escritor Norberto Bobbio, defende que o Estado é o mantenedor dos direitos sociais, assim como da valorização da cultura. Todavia, ao notarmos a inexistência de programas voltados à cultura de periferia, permitindo o esvaziamento da produção artística em regiões marginalizadas, o Poder Público permite a desvalorização destas produções, conforme exposto pelo portal de notícias Negrê. Logo, a inação estatal acumplicia a desvalorização da arte periférica.

Portanto, cabe ao Governo Federal mitigar a desvalorização da arte de periferia na nação. Portanto, cabe ao Ministério da Cultura -órgão responsável pela defesa da cultura nacional- criar uma campanha, por meio das mídias analógicas e digitais, com o intuito de conscientizar a população da importância da arte periférica, também como proporcionar acesso e incentivo à arte supracitada, por meio de exposições em centros comunitários. Assim, o país mitigará a desvalorização da arte de periferia, superando preconceitos e gerando o acesso à cultura.