ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 25/02/2025
Na obra literária ‘‘Triste fim do Policarpo Quaresma’’, do autor brasileiro Lima Barreto, a figura do protagonista é construída a partir de um ideal ultranacionalista baseado na valorização das questões do próprio país. Entretanto, fora da ficção, a sociedade brasileira se afasta do comportamento de Policarpo, visto que contri-buem nos desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural nacio-nal. Assim, é notório que esse panorama vigente é oriundo de uma má gestão estatal, bem como da passividade social.
Sob um prisma incial, aponta-se para a exiguidade de ações governamentais como um preponderante fator fomentador dos imbróglios relativos à dificuldade em valorizar a arte periférica. Por esse ângulo, ao deixa de promover a valorização e a inclusão dessa arte no repertório nacional, o poder público se omite, causando o distanciamento social e cultural que se vê vítima de suas próprias condições. Nessa perspectiva, é lícito referenciar a antropóloga brasileira Lilia Schwarcz, responsável pela afirmativa de que ‘‘o Brasil pratica uma política de eufemismos’’, diminuindo a importância das mazelas sociais para não ter de lidar com elas.
Ademais, ante uma égide secundária, vale salientar que esses desafios para a arte da periferia se firmar no cenário cultural nacional é perpetuado devido à passividade do corpo social que normaliza esse entrave. Diante dessa ótica, ao se eximir perante o reconhecimento dessa arte como importante para identidade territorial, a sociedade contribui para o agravamento dessa situação adversa, gerando, por conseguinte, o perpetuamento de um preconceito estrutural. Nesse sentido a filósofa alemã Hannah Arendt, a partir do conceito de ‘‘banalidade do mal’’, afirma que uma atitude negativa efetuada inúmeras vezes se torna invisível, o que inviabiliza a luta para atenuar o problema.
Depreende-se, portanto, a necessidade de abranger a arte periférica como movi-mento cultural que está presente na identidade brasileira. Destarte, é imperioso que o governo federal, por intermédio do Ministério da Cultura aliado ao Ministério do Turismo, organize e promova eventos expositivos que demonstrem a essência da arte da periferia, objetivando a sua integração e a propagação na sociedade. Dessa maneira, uma sociedade com menos lacunas culturais concretizar-se-á.