ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 11/03/2025

A filósofa alemã Hannah Arendt discorre sobre o conceito de “banalidade do mal”, que consiste no fato de que o pior mal é aquele que é visto como algo normal e por isso não é combatido como deveria. Nesse sentido, os problemas para a vali - dação da arte periférica no Brasil a cada dia se tornam mais comuns e banalizados. Essa problemática afeta de forma expressiva a vida de artistas que moram em co-

munidades e que querem crescer no ramo artístico, mas não possuem visibilidade por conta da marginalização que é atribuída a eles e aos seus familiares.

Em vista disso, muitos moradores de periferias no Brasil são vistos como artis - tas piores e com menos conhecimento simplesmente por conta de sua condição social e econômica, algo que é fruto de um preconceito muito comum no Brasil. Além disso, a criminalidade vista em comunidades também é responsável pela marginalização das pessoas que vivem em zonas periféricas, muitas vezes quem não comete crimes acaba sendo visto como criminoso apenas pelo fato de morar em um lugar repleto de infrações à lei e estar inserido na cultura do local, apresen - tando vestimentas e vocabulário, por exemplo, típicas desses lugares.

Consequentemente, todos esses preconceitos se tornam desafios para o reco-

nhecimento e a valorização das artes vindas da periferia pois as pessoas responsá -

veis por julgar, analisar e exaltar tais obras, na maioria das vezes, possuem outras condições de vida e possuem essa marginalização automática dentro de sua imagi -

nação. Isso também é uma realidade quando se olha para a sociedade brasileira, pois os cidadãos brasileiros tendem a subestimar e ignorar estas obras, trazendo assim a falta de reconhecimento do artista o que pode ocasionar futuramente em seu desinteresse com a realização de obras artísticas e assim, a perda de talentos.

Portanto, para acabar os empecilhos ligados a valorização de artes que são cri -

adas em comunidades e trazer visibilidades aos artistas, cabe ao Estado, por meio de campanhas de conscientização e eventos de exibição realizados de forma públi -

ca e de fácil acesso para incentivar o conhecimento dessas obras. Outrossim, as campanhas podem ser realizadas através de palestras realizadas por especialistas em psicologia e os desafios atrelados ao preconceito, e as exposições devem ser de fácil acesso para o maior número possível de espectadores e futuros admiradores.