ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 16/04/2025
A arte é um dos principais meios de expressão de identidade, resistência e crítica social. No entanto, no Brasil, a arte produzida nas periferias — como o rap, o grafite e o slam — enfrenta obstáculos para conquistar reconhecimento no cenário cultural hegemônico. Como aponta o grupo Menos Crime na música Rap das Quebradas, “arte de periferia é sobrevivência, é voz que ninguém cala”, evidenciando o papel da arte nos territórios marginalizados. No entanto, essa produção artística segue sendo invisibilizada. Isso ocorre, devido ao preconceito de classe e à falta de políticas públicas que garantam acesso e valorização cultural.
Em princípio, é necessário destacar o preconceito estrutural que associa as periferias à violência, à informalidade e à inferioridade cultural. Tal visão elitista contribui para a desvalorização das expressões artísticas que emergem desses territórios, mesmo quando possuem forte impacto estético e social. Com isso, o grafite, muitas vezes é confundido com vandalismo, enquanto o rap é estigmatizado como apologia ao crime, apesar de denunciar injustiças sociais.
Ademais, como defende Pierre Bourdieu, o capital cultural é desigualmente distribuído, perpetuando a marginalização simbólica. Desse modo, há desigualdade no acesso a editais, espaços culturais e meios de divulgação. Segundo a Fundação Perseu Abramo, apenas 3% dos editais culturais são destinados a projetos das periferias. Além disso, o IBGE aponta que cerca de 70% das instituições culturais estão concentradas em áreas centrais. Essa exclusão limita a visibilidade de artistas periféricos e reforça a ideia de que só a produção vinda das elites merece reconhecimento.
Em síntese, cabe ao governo federal, por meio do Ministério da Cultura, ampliar os investimentos em políticas de incentivo à arte periférica, além da criação e manutenção de centros culturais nas periferias urbanas, oferecendo oficinas, apresentações e espaços de produção artística. Por fim, promover campanhas de valorização da cultura periférica em escolas e mídias públicas, a fim de combater estigmas e ampliar o reconhecimento dessas expressões. Dessa maneira, um cenário cultural mais justo, igualitário, diverso e representativo da realidade brasileira, será construído.