ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 28/03/2025

A crônica ‘‘Eu sei, mas não devia’’, de Marina Colasanti, aborda a banalização do conformismo social.Além do enredo, a obra ecoa na realidade brasileira, uma vez que a desvalorização da arte periférica é frequentemente normalizada. Assim, é essencial adotar ações para superar esse desafio, fruto da ineficiência estatal e do preconceito regional.

A princípio, é notória a inoperância governamental em relação à arte suburbana. Segundo Nicolau Maquiavel, no livro ‘‘O Príncipe’’, os governantes devem priorizar o bem universal. Todavia, o poder público contraria o autor ao reforçar a prevalência do elitismo no acesso às produções artísticas, como destinar a maior parte dos investimento de incentivo à cultura aos grandes centros urbanos, em razão de haver poucas estruturas de exibição cultural na periferia. Com base nisso, é inadmissível que as zonas periféricas recebam menor incentivo cultural devido à ausência de atuação eficiente do Estado, tendo em vista que contribui com a exclusão artística e comunitária do acesso à arte.

Ademais, evidencia-se a discriminação regional como outro fator ocasionador desse cenário. Nessa lógica, a obra ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, de José Saramago, retrata uma sociedade moralmente cega definida pelo egoísmo e pela inércia civil. Paralelamente, vê-se que a falta de infraestrutura fez com que as ruas passassem as ser as galerias dos artistas suburbanos, assim como uma forma de protesto contra a desigualdade e o racismo. Contudo, esse estilo artístico ainda é marginalizado pelo preconceito das elites intelectuais e urbanas. Diante disso, torna-se inconstestável a necessidade de medidas de valorização da arte de rua e sua importância para representatividade e expressão das comunidades periféricas.

Dessarte, alternativas são fulcrais para vencer esse desafio. Logo, cabe ao Ministério da Cultura, ampliador do acesso cultural, garantir a valorização da arte periférica, por meio de um programa nacional de desenvolvimento cultural, em que conste a construção de infraestrutura nas periferias, como teatros e galerias, além da elaboração de um projeto de lei que destine 50% dos programas de incentivo à cultura para zonas suburbanas, a fim de que haja apoio estatal e justiça social. Dessa forma, a produção artística periférica deixará de ser banalizada.