ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 28/05/2025
Música, dança, pintura dentre tantas formas de manifestações artísticas estão presentes na humanidade desde seus primórdios. Nesse sentido, dada sua importância para a construção da subjetividade humana, o filósofo alemão Friedrishe Nietzsche afirmou em seus escritos que sem a arte a vida não basta. Diante dessa premissa, cabe a análise sobre a desvalorização da arte periféica no cenário cultural brasileiro que ,infelizmente, é desqualificada pela grande mídia devido a preconceito de classe.
A princípio, salienta-se que a arte periférica expressa o modo de vida, os valo-
res e visões de mundo de minorias sociais. Sob essa premissa, estabelece como exemplos desse tipo de arte músicas de rap, como as produzidas pelo grupo “Racionais”, em que as letras expõem as questões de indivíduos que vivem à margem da sociedade. Além do rap, há também os grafites, os quais, espalhados majoritariamente em bairros populares pelo Brasil, mostram a qualidade dos artistas de rua. Todavia, ainda que presente em todo país, a arte popular é desprestigiada e muitas vezes ridicularizadas por programas de televisão, como “Os suburbanos”, transmitido em 2015 pela TV Globo. A série em questão veicula um artista popular como ignorante e completamente alheio ao mundo que o cerca.
Como consequência da desvalorização da arte periférica, constrói-se no imaginário popular a associação de que o que é produzido pelas classes mais baixas não tem qualidade. Seguindo esse raciocínio, é possível perceber ao analisar episodios da série “Sai de Baixo”, também produzida pela Globo, o desvalor atribuído ao pobre, por meio de falas preconceituosas veiculadas pelo personagem “Caco”. Assim, nota-se o preconceito de classe como a base dessa questão.
Portando, espera-se que os municípios brasileiros construam centros culturais que acolham e divulguem os trabalhos artísticos produzidos por agentes periféri-
cos .Tal ação deve contar com infraestrutura financiada por empresas privadas em troca de isenção fiscal. Assim, ao financiar esses artistas e divulgarem seus trabalhos, seja através de bolsas de estudo, ou compra de instrumentos musicais, a valorização da arte periférica se tornará realidade no Brasil