ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 14/06/2025
A arte é uma poderosa forma de expressão e transformação social, sendo capaz de refletir realidades, questionar estruturas e afirmar identidades. No Brasil, a arte produzida nas periferias urbanas se destaca por sua criatividade, resistência e representatividade, mas ainda enfrenta grandes desafios para ser reconhecida e valorizada no cenário cultural hegemônico. Esse problema está ligado tanto ao preconceito estrutural quanto à falta de políticas públicas eficazes de incentivo à cultura periférica.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a arte periférica carrega as marcas das vivências de comunidades historicamente marginalizadas. Ela se manifesta em diversas formas, como o rap, o grafite, o slam, o funk e o teatro de rua, refletindo questões sociais urgentes, como racismo, violência, pobreza e desigualdade. No entanto, essas expressões culturais ainda são frequentemente associadas a estereótipos negativos, sendo vistas como “inferiores” ou “ameaçadoras” pelo olhar elitista que domina a produção e o consumo artístico no Brasil. Esse preconceito impede que muitos artistas periféricos tenham acesso a espaços de visibilidade, financiamento e reconhecimento.
Além disso, há uma ausência de políticas públicas que garantam recursos e estrutura para a produção artística nas periferias. A centralização dos investimentos culturais em grandes centros e instituições tradicionais limita o alcance e o desenvolvimento da arte nas regiões periféricas. Projetos independentes, muitas vezes sustentados com recursos próprios ou doações, enfrentam dificuldades para se manterem ativos, apesar do impacto positivo que geram em suas comunidades. A falta de editais inclusivos e a burocracia nos processos de financiamento também contribuem para a exclusão desses artistas do circuito cultural formal.
Portanto, a valorização da arte de periferia no Brasil exige o enfrentamento de barreiras estruturais e simbólicas que ainda limitam seu reconhecimento. Ao promover a inclusão cultural e o respeito à diversidade artística, o país caminha para uma sociedade mais justa, plural e representativa de sua própria riqueza cultural.