ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 15/06/2025
A arte é fundamental na formação da identidade cultural e na transformação social. No Brasil, a arte das periferias enfrenta dificuldades para ser reconhecida, reflexo da desigualdade social, do preconceito estrutural e da ausência de políticas públicas que garantam acesso democrático à cultura.
As periferias, historicamente marginalizadas, produzem expressões artísticas como o rap, o slam, o grafite e o teatro de rua, que denunciam realidades invisibilizadas pelo centro. No entanto, por estarem ligadas à pobreza e à violência, essas manifestações sofrem preconceito e não recebem o mesmo valor que as expressões culturais das elites. Esse fenômeno se relaciona com o conceito de “capital cultural”, de Pierre Bourdieu, que mostra como apenas os saberes validados pelas classes dominantes são reconhecidos socialmente.
Outro obstáculo é a falta de investimento público e privado. Coletivos periféricos enfrentam dificuldades com infraestrutura, burocracia para acessar editais e baixa visibilidade na mídia. Isso limita o alcance de suas produções, que muitas vezes permanecem restritas a circuitos locais. Iniciativas como o Festival Percurso, em São Paulo, mostram o potencial de inclusão da arte periférica, mas ainda são exceções.
Para mudar esse cenário, é necessária uma ação conjunta entre o Estado, a sociedade e a iniciativa privada. O Ministério da Cultura e as prefeituras devem criar editais acessíveis e específicos para artistas periféricos. Escolas públicas podem oferecer oficinas com artistas locais e incentivar a produção cultural entre os jovens. A mídia também tem um papel importante na divulgação dessas expressões, ajudando a romper estigmas.
Valorizar a arte periférica é reconhecer a periferia como espaço de criatividade e resistência. Fortalecer essas vozes é essencial para construir uma cultura brasileira mais justa, diversa e representativa.