ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 15/06/2025

Ao longo da história, a arte tem se destacado como um dos principais meios de expressão e mudança social. Contudo, no Brasil, a produção artística proveniente das periferias ainda encontra vários desafios para obter reconhecimento e valorização no contexto cultural dominante. Estes obstáculos abrangem desde o preconceito enraizado até a ausência de políticas públicas efetivas.

Inicialmente, é crucial entender que a arte periférica não se limita a expressões estéticas, mas também a vivências históricas e sociais que desafiam os padrões convencionais estabelecidos por uma elite cultural. Conforme destacado no Manifesto da Antropofagia Periférica, a arte periférica surge do dia a dia, das angústias e paixões de uma população que resiste e se recria nas margens da metrópole. Contudo, esse tipo de produção ainda é muitas vezes negligenciado por entidades culturais que dão preferência a linguagens tidas como “eruditas”.

Além disso, a escassez de investimentos e reconhecimento para os artistas da periferia alimenta um ciclo de exclusão. Iniciativas como o “Artitudes femininas”, que incentivam a arte de rua produzida por mulheres da Amazônia, demonstram a capacidade de modificar espaços urbanos e formar identidades. No entanto, essas ações ainda são escassas e lidam com obstáculos de financiamento e suporte.

Para lidar com essa situação, é crucial que o governo, em colaboração com o setor privado, aplique editais direcionados a artistas de regiões periféricas, expandindo o acesso a recursos e locais de exibição. Ademais, as instituições de ensino devem incorporar a arte periférica em seus programas de estudo, incentivando o reconhecimento de diversas manifestações culturais desde a educação básica.

Apreciar a arte periférica é reconhecer a capacidade criativa de um segmento considerável da população do Brasil. É necessário derrubar as barreiras simbólicas que dividem o “centro” da “margem” e estabelecer um panorama cultural genuinamente diverso.