ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 16/06/2025

A Constituição Federal, promulgada em 1988, prevê para todos os cidadãos o direito à cultura e à livre expressão artística. Entretanto, na prática, essa garantia é deturpada, visto que a desvalorização da arte de periferia ainda é uma realidade na sociedade nacional. Desse modo, tal cenário nefasto ocorre tanto pela negligência governamental, como também devido à falta de debate sobre o papel cultural das produções periféricas.

Diante desse cenário, é fulcral pontuar que o problema deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam a invisibilidade da arte de periferia nos espaços culturais hegemônicos. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil devido à falta de atuação do Estado na valorização e no financiamento das manifestações artísticas originadas das regiões periféricas, consequentemente mantendo o monopólio cultural nas mãos de grupos elitizados e restringindo o acesso à diversidade cultural. Logo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar que a falta de debate impulsiona a estigmatização das expressões culturais periféricas. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como o preconceito contra a arte produzida nas periferias seja resolvido, faz-se necessário debater sobre a relevância social, estética e histórica dessas manifestações. Assim, trazer à pauta a arte periférica e debatê-la amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Portanto, é fundamental enfrentar os desafios ligados à valorização da arte de periferia no Brasil. Para isso, o Ministério da Cultura deve atuar ativamente, tanto promovendo políticas públicas de incentivo às produções artísticas periféricas quanto realizando campanhas educativas que combatam o preconceito e e

stimulem o reconhecimento dessas manifestações. Por meio dessas medidas, espera-se ampliar o acesso e a visibilidade da arte periférica, contribuindo para a construção de um cenário cultural mais justo, plural e representativo.