ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 16/06/2025

A arte produzida nas periferias brasileiras emerge como expressão legítima de identidades, lutas e resistências de populações historicamente marginalizadas. No entanto, apesar de sua potência criativa e de seu impacto social, a arte periférica ainda enfrenta diversos desafios para ser plenamente valorizada no cenário cultural brasileiro. Esse descompasso se deve, principalmente, ao preconceito estrutural contra os territórios de origem dessas produções e à centralização dos investimentos culturais em espaços elitizados.

Em primeiro lugar, o preconceito simbólico que associa as periferias à violência, ao atraso e à marginalidade contribui para a desvalorização de suas expressões artísticas. Esse olhar discriminatório faz com que essas manifestações sejam vistas como inferiores ou alternativas, dificultando seu acesso a grandes palcos, galerias e editais públicos de incentivo. Como destaca o Manifesto da Antropofagia Periférica, a periferia representa não apenas um espaço geográfico, mas também um território de identidade, classe social e resistência cultural. Contudo, tais produções continuam sendo excluídas dos circuitos culturais mais valorizados, aprofundando desigualdades e limitando o reconhecimento artístico dessas comunidades.

Além disso, a concentração dos recursos culturais em centros urbanos economicamente privilegiados representa outro obstáculo. Grande parte dos investimentos públicos e privados se destina a regiões centrais, enquanto artistas periféricos precisam recorrer a iniciativas independentes, muitas vezes com baixo orçamento. O exemplo da produtora de cinema de Contagem, citada no Texto IV, evidencia que, mesmo diante de condições adversas, a arte periférica pode conquistar reconhecimento nacional e internacional. Porém, tais casos ainda são exceções que não refletem a realidade da maioria dos artistas dessas regiões.

Em suma, é essencial implementar políticas públicas que garantam acesso igualitário a recursos culturais, como editais exclusivos para artistas periféricos e programas de formação artística nas escolas públicas. Além disso, campanhas de mídia devem valorizar a arte da periferia, combatendo estigmas e promovendo a diversidade cultural, assegurando assim maior reconhecimento dessas produções.