ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/06/2025
A arte de periferia, representada por expressões como o rap, o funk, o grafite e o teatro de rua, é uma importante forma de manifestação cultural das camadas sociais historicamente marginalizadas no Brasil. No entanto, apesar de ser fundamental na construção da identidade nacional, essa produção ainda enfrenta diversos desafios para ser reconhecida e valorizada no cenário cultural brasileiro. Entre os principais entraves estão o preconceito social e a falta de políticas públicas contínuas.
O preconceito contribui para a invisibilidade dessas manifestações, muitas vezes associadas à criminalidade ou à desordem. Isso faz com que artistas periféricos tenham menos acesso a espaços culturais, patrocínios e meios de divulgação. Consequentemente, o talento e a representatividade dessas produções acabam restritos aos próprios territórios de origem. Além disso, a ausência de políticas públicas consistentes agrava a exclusão. Embora iniciativas como a Lei Aldir Blanc tenham oferecido suporte emergencial, a falta de continuidade em programas de incentivo impede o desenvolvimento sustentável da arte periférica. Sem investimento em infraestrutura cultural e em formação artística, a desigualdade de oportunidades persiste.
Entretanto, é inegável a potência transformadora da arte de periferia. Artistas como Emicida e os Racionais MC provam que essas expressões podem denunciar desigualdades, fortalecer identidades e promover inclusão social.
Diante disso, é fundamental que o poder público amplie os investimentos em cultura periférica, garantindo recursos por meio de editais específicos e programas de formação. Além disso, a inclusão desses conteúdos nos currículos escolares pode ajudar a combater preconceitos e valorizar a diversidade cultural desde a base educacional. Por fim, é essencial que a mídia e as plataformas digitais ampliem o espaço para produções periféricas, democratizando o acesso e o reconhecimento.
Portanto, a valorização da arte de periferia exige uma ação conjunta entre governo, escolas e meios de comunicação. Apenas com medidas efetivas será possível construir um cenário mais representativo e cultural da realidade brasileira.