ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/06/2025
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a desvalorização da arte de periferia no cenário cultural apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência governamental, quanto da invisibilidade midiática. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária que mescla conflitos nas esferas política e midiática, analisar seriamente as raízes e os frutos dessa problemática é medida que se faz imediata.
Primeiramente, é importante pontuar que o problema decorre do descaso do poder público em promover políticas culturais inclusivas. Em muitos casos, artistas periféricos enfrentam falta de incentivo, espaço e reconhecimento. De acordo com Pierre Bourdieu, a cultura é um instrumento de poder simbólico. No Brasil, sua democratização ainda é restrita, o que amplia desigualdades e limita a expressão cultural. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a invisibilidade midiática como promotora do problema. De acordo com dados da pesquisadora Ivana Bentes, a grande mídia reproduz filtros sociais que marginalizam narrativas periféricas. Partindo desse pressuposto, a escassa representação da arte das periferias reforça estigmas e impede sua valorização no imaginário coletivo, perpetuando essa exclusão.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se, urgentemente, que o Ministério da Cultura direcione capital para que, por intermédio de editais públicos inclusivos, seja promovido o financiamento de coletivos culturais periféricos, por meio de ações educativas, eventos e difusão nacional nas mídias públicas. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do problema, e a coletividade alcançará a Utopia de More.