ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 25/06/2025
Segundo o escritor Alan Moore, “O que chamamos realidade é apenas o senso comum de nossa cultura. Ignorar outras culturas é estar cego para outras realidades.” Nesse sentido, atualmente, no Brasil, a produção artística proveniente das periferias sofre discriminação, sendo assim uma realidade ignorada por parte dos brasileiros. Diante desse contexto, a marginalização da cultura periférica ocorre pelo histórico de desigualdade social e por ausência de políticas públicas.
Desse modo, é necessário atentar para a desigualdade estrutural na sociedade brasileira. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, o capital cultural está concentrado nas mãos das classes mais altas, o que desencadeia na exclusão das produções e práticas realizadas pelas classes populares. Sob esse ponto de vista, produções como rap, grafite, dança de rua, funk entre outros que representam os desafios desses territórios, são frequentemente tratadas com desdém ou são capitalizadas pela mídia tradicional, de uma forma que reproduza preconceitos e esteriótipos.
Além disso, a falta de políticas públicas direcionadas à arte das periferias agrava a dificuldade de acesso aos meios de produção e divulgação artística. Apesar da existência da Lei Rouanet, que visa incentivar a cultura no Brasil, a concentração dos recursos em grandes centros urbanos e em instituições já consolidadas limita o alcance dessas políticas nas regiões periféricas. Assim, artistas de regiões centrais contam com apoio técnico e financeiro para desenvolver seus projetos, enquanto grande parte dos artistas periféricos depende de iniciativas autônomas e de espaços culturais informais, muitas vezes sem infraestrutura adequada.
Portanto, para enfrentar esses desafios, o Ministério da Cultura, em parceria com secretarias estaduais e municipais, deve implementar editais de fomento exclusivos para coletivos culturais periféricos, assegurando apoio financeiro e técnico. A mídia, por sua vez, deve ser incentivada, através de cotas culturais, a promover conteúdos que deem visibilidade à produção artística das periferias, desconstruindo estigmas e ampliando o reconhecimento dessas expressões.