ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 25/06/2025
A arte, em suas múltiplas formas, reflete e transforma realidades. No entanto, no Brasil, a produção artística das periferias, embora rica em diversidade e potência expressiva, ainda enfrenta entraves significativos para ser reconhecida e valorizada no cenário cultural hegemônico. Essa marginalização está enraizada tanto na histórica desigualdade social quanto na ausência de políticas públicas que promovam a democratização do acesso à cultura.
É necessário reconhecer que o Brasil possui uma tradição elitista no que se refere à valorização artística, a cultura que recebe maior visibilidade e investimento é aquela associada a espaços institucionais, como teatros renomados, museus e galerias de arte localizados em áreas centrais. A arte periférica, muitas vezes representada por manifestações como o grafite como “Eduardo Kobra”, o slam como “Slam da Guilhermina”, o rap como “Racionais MC’s” e o teatro de rua, é frequentemente estigmatizada como “inferior” ou “alternativa”, desconsiderando seu valor estético e seu papel fundamental na formação da identidade cultural brasileira. Essa visão preconceituosa contribui para a exclusão de artistas periféricos dos grandes circuitos culturais e limita seu alcance ao grande público.
Além disso, a ausência de incentivos governamentais específicos agrava o problema, leis de fomento à cultura, como a Lei Rouanet, embora importantes, tendem a beneficiar projetos com maior visibilidade e estrutura, o que desfavorece iniciativas culturais da periferia, que muitas vezes carecem de apoio técnico e financeiro para submeter propostas competitivas. A falta de políticas culturais inclusivas reforça a centralização da arte em determinados grupos sociais e dificulta a construção de uma cultura verdadeiramente plural.
Portanto, é fundamental que o poder público, em parceria com a sociedade civil, promova ações concretas para a valorização da arte de periferia e o Ministério da Cultura, em colaboração com as secretarias estaduais e municipais, deve criar editais específicos voltados para artistas periféricos, com critérios que levem em conta a realidade desses territórios. É necessário investir na formação cultural de jovens nas periferias, por meio de oficinas, centros culturais e eventos que fomentem a produção local.