ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 30/06/2025

Desde os tempos coloniais, o Brasil convive com desigualdades sociais e culturais que impactam o reconhecimento das diversas expressões artísticas. Diante desse cenário, a arte produzida nas periferias urbanas — como o grafite, o funk e o slam — enfrenta grandes desafios para obter visibilidade no circuito cultural tradicional. Pierre Bourdieu defende que o “capital cultural” é determinante para a legitimação artística, o que evidencia a exclusão de manifestações periféricas. Assim, destacam-se dois obstáculos principais: o preconceito elitista e a carência de políticas públicas específicas.

Sob esse viés, o preconceito arraigado nas elites culturais marginaliza essas expressões, associando-as frequentemente à informalidade e até à criminalidade. Sob essa ótica, o geógrafo Milton Santos explica que o espaço urbano é produzido de modo excludente, o que se reflete também nas esferas simbólicas. Como consequência, artistas periféricos encontram barreiras para acessar editais, patrocínios e espaços de exibição, perpetuando a invisibilidade de suas obras e limitando seu desenvolvimento profissional.

Ademais, a escassez de investimentos públicos direcionados à cultura periférica agrava essa desigualdade simbólica. Muitos projetos comunitários não se sustentam por falta de recursos financeiros e técnicos adequados. Segundo o Mapa da Cultura Brasileira, a maior parte dos recursos destinados à cultura concentra-se nas regiões centrais, em detrimento das periferias. Dessa forma, essas manifestações artísticas permanecem à margem do cenário nacional, sem o devido reconhecimento e valorização.

Portanto, para promover a valorização da arte periférica e ampliar seu reconhecimento, é essencial que o Ministério da Cultura crie editais exclusivos com recursos, mentorias e visibilidade.Além disso, tais mentorias podem ser realizadas em parceria com universidades e artistas renomados, oferecendo formação técnica e teórica. A divulgação dessas ações deve ocorrer em redes sociais como TikTok e Instagram, utilizando linguagem acessível ao público jovem. Com isso, será possível garantir espaço, respeito e diversidade no panorama cultural brasileiro, promovendo a inclusão social por meio da arte.