ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 01/07/2025
A princípio, é necessário reconhecer que a arte de periferia representa mais do que expressão estética: trata-se de uma ferramenta de resistência, identidade e transformação social. Entretanto, apesar de sua potência, essa manifestação artística ainda encontra obstáculos significativos para sua valorização no cenário cultural brasileiro. Nesse contexto, torna-se relevante discutir como o preconceito estrutural e a escassez de investimentos impactam a consolidação da arte periférica.
Em primeiro lugar, é válido destacar que o preconceito de classe e raça contribui diretamente para a invisibilidade da arte produzida nas periferias. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, a cultura dominante tende a impor o que é legitimamente considerado arte, desvalorizando expressões populares e marginalizadas. Por conseguinte, manifestações como o rap, o slam, o grafite e o funk são muitas vezes tratadas com estigma, impedindo o acesso desses artistas a espaços formais de cultura e reconhecimento público.
Além disso, é importante ressaltar que a ausência de políticas públicas consistentes limita o desenvolvimento da produção artística periférica. Conforme afirma o rapper Emicida, “a periferia sempre produziu cultura, mas nunca teve as ferramentas para potencializar isso”. Dessa forma, a falta de editais inclusivos, formação técnica e apoio contínuo compromete a profissionalização dos artistas e perpetua desigualdades no acesso à arte como direito.
Dessa maneira, para que a arte periférica seja valorizada como parte integrante do patrimônio cultural brasileiro, é fundamental a atuação do Ministério da Cultura. Esse órgão deve criar e ampliar editais exclusivos para coletivos e artistas das periferias, por meio da destinação de verbas públicas e parcerias com organizações sociais, com o objetivo de promover visibilidade, formação e sustentabilidade para essas produções. Assim, será possível construir um cenário cultural mais diverso, justo e representativo.