ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 31/07/2025
Durante a República Velha ocorreu a Semana de Arte Moderna de 1922, em que as obras foram aplaudidas e renomadas em todo o país. No entanto, na atualidade, nem todas as artes, como as de rua, são bem celebradas, haja vista que o preconceito de classe e a omissão na imprensa contribui para o desafio da cultura periférica.
Nesse cenário, é relevante abordar a falta de reconhecimento artístico na classe baixa. Na novela ‘‘Cheias de Charme’’ é retratado um grafiteiro em que nas ruas sua arte era taxada como barbaridade, mas quando expos em uma galeria de luxo foi considerada a melhor obra vista. A partir desse viés, observa-se que, cruelmente, a valorização está ligada ao ambiente social, ou seja, aquele que está em um lugar elitizado é visto positivamente. Desse maneira, o pretígio diz muito sobre o pertencimento ao local e de modo silencioso tem caráter excludente sobre a periferia.
Paralelo a isso, vale ressaltar também que a invisibilidade midiática contribui para não ser aclamada. Isso posto, no livro ‘‘A beleza está nos olhos de quem vê’’ de Camila Cury, é relatado o fenômeno Ram, no qual o que é visto é fixado em nossas mentes e em seguida reproduzido por nós. À luz dessa perspectiva, no âmbito da arte de rua, quanto menos estiver presente nos meios de comunicação, como as batalhas de rap e teatro amador, maior será seu desafio para ser apreciada e compreendida com seriedade pela população. Sob essa ótica, é inegável afirmar, que a mídia perpetua para moldar o pensamento do cidadão e assim ceder a ignorância de não mostrar a arte de todas as formas.
Fica esclarecido, portanto, a criação de uma medida que valorize a cultura periférica. Nessa Lógica, é imperativo que o Ministério da Cultura, promova um programa que leve o conhecimento da arte da comunidade aos brasileiros, por meio de propagandas diversas, por exemplo, que fale sobre cada particularidade, como o grafite ou a poesia de rua, demostrar a preparação do artista, a pequena apresentação e o sonho por trás dessa atividade. Feito isso, poderá ser bem conhecida e admirada pela nação verde - amarela assim como foi a Semana Modernista de 1922.