ENEM 2025 (Aplicação BELÉM, ANANINDEUA E MARITUBA) - A valorização dos trabalhadores rurais no Brasil
Enviada em 30/01/2026
Na contemporaneidade brasileira, a valorização dos trabalhadores rurais constitui um desafio estrutural, com graves impactos sociais e econômicos. Apesar do agronegócio registrar recorde de 28,5 milhões de ocupados no 1º trimestre de 2025 (Cepea/CNA), esses profissionais enfrentam informalidade elevada, baixos salários e condições precárias. Diante disso, é essencial analisar causas socioculturais e institucionais para promover dignidade e inclusão.
Primeiramente, fatores socioculturais perpetuam a desvalorização. Segundo Pierre Bourdieu, desigualdades são reproduzidas pelo capital cultural, naturalizando a subalternidade rural. No Brasil, herança colonial e visão urbana invisibilizam o campo, agravada pela modernização tecnológica que exige qualificação, mas exclui muitos lavradores tradicionais. Assim, persiste alta informalidade (cerca de 80% na América Latina, OIT/FAO 2025) e remuneração média baixa (R$ 2.133 no agropecuário).
Ademais, a fragilidade das políticas públicas intensifica o problema. Conforme Zygmunt Bauman, na modernidade líquida, instituições falham em impor limites. No contexto rural, isso resulta em exposição a riscos como agrotóxicos e falta de EPIs adequados, violando o artigo 6º da Constituição Federal, que garante trabalho digno. Portanto, apesar do crescimento de empregos formais, permanecem precariedade e desigualdades.
Diante do exposto, cabe ao Ministério da Agricultura (MAPA), em parceria com o SENAR e sindicatos rurais, implementar programas de capacitação técnica gratuita. Tais ações devem oferecer cursos sobre operação de máquinas, manejo sustentável, direitos trabalhistas e uso de EPIs, em polos regionais com certificação e incentivos fiscais à formalização. Essas medidas promoverão qualificação, proteção social e renda digna, reduzindo exclusão e avançando na justiça social.