ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 28/10/2025

Invisíveis. Essa é a melhor adjetivação para algumas regiões do Brasil, que são recorrentemente esquecidas ou ignoradas. A configuração de tal cenário encontra desafios principalmente no legado histórico e na omissão governamental.

Em primeira análise, é importante ressaltar o legado histórico como fator contribuinte para invisibilidade de algumas regiões. Isso ocorre porque, apesar da temática está presente no século XXI, não encontra suas raízes na contemporaneidade, posto que no Brasil imperial, na transição do ciclo da cana-de-açúcar para o ciclo do ouro, o nordeste foi esquecido e o sudeste passou a ter destaque, tendo em vista ser o novo polo econômico. Analogamente, na atualidade, percebe-se que a discrepância regional pelo fator econômico se mantém, uma vez que o Índice de Gini- métrica usada para calcular as desigualdades- demonstra que estados com potencial econômico- como São Paulo - possuem menor desigualdade em detrimento de estados que convivem com a seca, como regiões interioranas do Ceará. Dessarte, é de suma importância a mudança desse cenário.

Ademais, é indubitável pontuar a inoperância estatal como perpetuador do óbice. Segundo a Constituição Brasileira de 1988, é dever do Estado garantir a igualdade entre todos os cidadãos, no entanto, essa postura se limita ao papel, visto que ainda há uma desigualdade salarial entre regiões. Tal exposto é explicitado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- , o qual registrou que a população do sudeste possui salários superiores ao do norte e nordeste, gerando uma discrepância regional, algo que poderia ser evitado pelo Ministério do Trabalho, por meio de uma padronização monetária.

Torna-se imprescindível, portanto, a tomada de atitudes que mitiguem os males relativos às desigualdades regionais. Para isso, é papel do governo- instância máxima no âmbito federal- garantir o preceito constitucional de igualdade -, por intermédio de padronizações salariais e monitoramento dos índices sociais por pesquisadores da área- sociólogos e geógrafos- , a fim de direcionar verbas de acordo com a necessidade de cada região e garantir que as discrepâncias locais não se perpetuem.