ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 01/02/2021
O Brasil é reconhecido como uma das maiores economias mundiais. Entretanto, a permanência de seu ciclo de exploração de produtos primários desde o período colonial, aliado ao crescente incremento do setor terciário no PIB, geraram ambientes com diferentes níveis de investimento em serviços públicos como saneamento e educação. Nesse sentido, forjou-se o atual quadro de desigualdade regional brasileiro.
Jorge Caldeira, no livro “A história da riqueza no Brasil”, destaca como o dinamismo das trocas comerciais durante o período colonial, sem a fiscalização da metrópole, garantia a formação de redes de circulação que não incentivavam diferenças expressivas no território. Porém, tais vinculações foram deterioradas através dos ciclos de extração e investimento focalizados como o do ouro em Minas Gerais e do Café em São Paulo, trazendo o Brasil do século XX a expressivas disparidades regionais, especialmente expressas nos fluxos migratórios para o Sudeste e à capital Brasília.
Conquanto o Estado Brasileiro tentasse através das superintendências de desenvolvimento regional a industrialização de regiões como Norte e Nordeste, a falta de capital humano decorrente do menor acesso a saneamento e à educação básica de qualidade frustraram esse investimento mal focalizado. Assim sendo, os recursos correspondentes a acesso a serviços passaram a incorporar subsídios aos empresários locais de maior influência política.
Ademais, o incremento da participação do setor de serviços no PIB impacta essas populações, posto que aliado aos menor capital humano descrito, contam com redes de circulação e regras fiscais mais instáveis, afugentando investimentos e concentrando-os mais ainda na porção centro-sul do país. Assim sendo, a fim de alterar o quadro descrito, deve-se primeiramente obter por meio dos Estados, os dados de acesso a saneamento e educação básica. Em seguida, construir indicadores vinculados à ONU e ao Pisa para monitorar internacionalmente sua evolução. Concomitantemente, conferir treinamento técnico e subsídio a pequenos e médios empresários locais de modo a, em parceria com o Sistema S, introduzi-los no mercado formal. Por fim, realizar intercâmbios regionais entre universidades de modo a democratizar conhecimento e potencializá-los quando adaptados às realidades locais. Pode-se então traçar um panorama geral de redução das desigualdades regionais.