ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 05/02/2021
Em um país, cujo lema do governo federal, há menos de uma década, era “Brasil, um país de todos”, é assustador perceber o quanto as diferentes regiões do território nacional possuem acesso desigual às oportunidades e recursos. Historicamente, essa nação foi pautada em desigualdades de diferentes origens, sendo, uma delas, a desigualdade regional. Desse modo, urge compreender as raízes de tais disparidades entre as localidades brasileiras, com o fito de mitigá-las.
Em primeira análise, os diferentes estados brasileiros, desde o período colonial, foram expostos a diferentes atividades econômicas, fato que culminou nas desigualdades entre esses locais. Por exemplo, o estado de São Paulo, que foi polo econômico da cafeicultura e berço da industrialização brasileira, hoje esbanja o maior PIB do país. Em contrapartida, o Mato Grosso, tardiamente explorado economicamente, hodiernamente, abriga grandes fazendas focadas na exportação, de modo que poucos fazendeiros enriquecem, enquanto grande parte da população local permanece na miséria. Essa disparidade na distribuição dos recursos dentro de cada região é evidenciada em diversas obras do cinema nacinal, como no filme “Central do Brasil”, em que uma professora aposentada encaminha uma criança do sudeste até sua casa, no nordeste. No trajeto, fica claro o empobrecimento da população.
Em segunda análise, o preconceito advindo da população do eixo Sudeste-Sul em relação ao restante da população brasileira é um fator agravante na segregação dos brasileiros. Ainda hoje, há diversos estereótipos presentes no cotidiano dessas pessoas, o que esconde sua xenofobia, respaudados pela grande mídia. Um episódio ocorreu recentemente, quando a revista Veja São Paulo publicou uma edição, no aniversário da capital, com a seguinte capa: “São Paulo: a Capital do Nordeste”. Com essa chamada, o meio de comunicação desconsidera que o Nordeste é uma região com 9 estados, em que cada um deles possui diversas singularidades, além de anular a importância das capitais desses estados, simplesmente porque o Sudeste é uma região economicamente atrativa para uma parcela de nordestinos. Por isso, é importante perceber os brasileiros como um único povo.
Para tanto, o governo federal, em parceria com os estados das regiões historicamente prejudicadas economicamente, deve investir na industrialização e na agricultura familiar, por meio de empréstimos para o pequeno produtor rural e microempreendedor, intermediados pelos bancos públicos, para reparar as desigualdades entre as regiões. Desse modo, haverá um significativo aumento no PIB e melhora na distribuição de renda no estados mais desfavorecidos. Ademais, o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, deve dar subsídos a projetos que valorizem a diversidade cultural, para combater o preconceito entre as regiões. Somente assim, o Brasil realmente será um país de todos.