ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 05/02/2021
Na obra literária “Os sofrimentos do Jovem Werther”, é narrada a história de Werther, protagonista que se suicida após não conseguir ficar com sua amada. Hodiernamente, no Brasil, observa-se um crescimento exponencial dos casos de depressão e suicídio na sociedade, que surgem acompanhados de estigmas preconceituosos à cerca dos portadores dessas enfermidades mentais. Assim, compreender o papel da desinformação sobre as doenças psiquiátricas e como o precário tratamento oferecido pelo Estado agrava esse quadro é medida que se faz urgente.
Em primeira análise, a ausência de debates e a esteriotipação de doenças - como a depressão, tidas muitas vezes como “frescuras”, demonstram a decadência do pensamento coletivo na sociedade brasileira. De acordo com o filósofo Émile Durkheim, as relações humanas estão contidas em um corpo social mediado pelo senso comum. Dessa forma, quando ocorre a massificação de estigmas negativos e preconceituosos sobre um assunto - como a saúde mental -, toda a sociedade é afetada negativamente. Por conseguinte, inicia-se um triste cenário segregacional daqueles que possuem alguma patologia: passam a esconder a doença, a não buscar tratamento adequado e, por fim, a não promoverem debates sobre o assunto. Então, inevitavelmente, em decorrências dessas ações, esse ciclo fatal se retroalimenta do silêncio das vítimas.
Ademais, o governo é agente principal na degradação da saúde mental dos brasileiros, devido à negligência em sanar seus estigmas. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, 5% dos brasileiros tem depressão - número alartamente que retrata o descaso dos governantes com essas pessoas. Sob esse viés, a ausência de políticas públicas para essa popoulação corrobora também a perda indireta de sua cidadania que, sem suas dificuldades reconhecidas, passam a constituir uma classe reclusa de sujeitos que não possuem mecanismos para reivindicar seus direitos políticos e civis, como exigir uma legislação direcionada e a gratuidade em seus tratamentos médicos. Em suma, além de não possuirem a plenitude do exercício de suas vontades em razão da doença, os afetados ainda são marginalizados pelo Estado.
Portanto, conceber os meios para informar a população e permitir tratamento aos estigmatizados se mostra necessário. Nesse sentido, o Ministério da Saúde deve, por meio de parceria com o Ministério da Educação, ministrar aulas sobre saúde mental em escolas e faculdades, com o auxílio de psicológos e psiquiatras que educarão os alunos e auxiliarão em tratamentos e diagnósticos precoces com o fito de mitigar os estigmas sobre a saúde mental no Brasil. Outrossim, será possível cessar a retroalimentação desse ciclo danoso e evitar que mais jovens tenham o destino de Werther.