ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 26/04/2021
O Coeficiente de Gini, medidor usado para aferir o grau de desigualdade das nações, classifica o Brasil como sétimo país do globo mais socialmente assimétrico. Nesse sentido, grande parte desse contexto deve-se a visível discrepância entre as macrorregiões federadas, o que torna a meta de reduzir os contrastes internos um intenso desafio público. Dessa forma, a negligência estatal e a estigmatização comunitária são entraves humanos e econômicos do presente panorama.
Vale destacar, preliminarmente, o descaso governamental como tópico crítico da problemática. Sob essa óptica, a formulação da Carta Magna, há 32 anos, baseou-se na garantia irrestrita de bem-estar para os cidadãos pátrios. Entretanto, a teoria diverge da realidade, uma vez que dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística do ano de 2019 apontam as regiões Norte e Nordeste como detentoras das menores rendas e dos piores índices de qualidade de vida. Tal panorama, portanto, fere a coesão financeira e pessoal desses espaços e, por isso, deve ser alterado.
Ademais, a persistência da discriminação e do preconceito popular é um ponto notável da conjuntura. Nessa perspectiva, o sociólogo francês Pierre Bourdieau, em seu conceito de ‘‘Violência Simbólica’’, afirma que os atos violentos são definidos por ações sutis, mas de forte impacto nocivo. Assim sendo, nota-se agressividade na mídia, haja vista o danoso silêncio relacionado aos pontos e debates de reconhecimento da relevância diversa e cultural para a consolidação da identidade coletiva.
Logo, medidas devem ser aplicadas a fim de superar esse desafio. Para isso, cabe ao Ministério da Economia reorganizar a forma de investimentos federais, por meio de parceria com o Ministério da Cidadania. Por sua vez, essa colaboração deve mapear proporcionalmente os recursos financeiros e humanos, a fim de promover equidade econômica e melhoria social. Além disso, os veículos privados de mídia devem lançar campanhas de estímulo e conversa acerca da tolerância multicultural. Dessa maneira, a União há de reverter a desigualdade regional apontada pelo Índice Gini.