ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 17/02/2021

Jean-Paul Sartre, filósofo existencialista, expõe em sua obra “Os Caminhos da Liberdade”, o vínculo existente entre a liberdade e a responsabilidade social, no qual as atitudes de indivíduos e instituições refletem em todo corpo social, tendo essas, por fim, a necessidade de se basearem em valores éticos. Considerando a perspectiva sartriana na análise entre as regiões brasileiras, nota-se que a construção histórica, amparada pelo sistema liberal, engendrou valores econômicos e sociais que cultivam desafios na redução da desigualdade entre elas. Desse modo, compreender as causas mais profundas desse problema é fator fundamental para se apontar o caminho de uma nação mais igualitária.

Em primeira análise, consolidou-se no Ocidente o preceito liberal de liberdade econômica, em que o indivíduo é livre para buscar o seu bem financeiro. Em virtude disso, o sistema direciona sua produção para onde há maiores chances de obtenção de lucro, por exemplo, historicamente, a mineração, a cafeicultura e, posteriormente, a concentração industrial, predominantemente no sudeste e em decorrência de fatores geográficos. Diante disso, o sistema liberal solidificou um vasto ciclo de produção e geração de renda nessas regiões, o que alimentou, também, a desigualdade. Nesse sentido, com a ascensão do neoliberalismo e a supervalorização do capital, sedimentou-se no Brasil a falsa ideia de supremacia de certas regiões em relação às outras.

Outrossim, emergiram atitudes sociais responsáveis por concretizar relações hierárquicas que naturalizaram processos de discriminação, como o que ocorre em relação à população do norte e nordeste. Nesse contexto, em decorrência da soberania econômica, criou-se, também, um falso estigma de preponderância social, em que a população dessas regiões privilegiadas historicamente se colocam acima da população das demais. Agravando esse fato, ainda, a vinculação de poder à condição financeira, o que alimenta e ampara esses nocivos ideais de uma população eticamente má conduzida e a distancia do ideal proposto pelo filósofo francês.

Em suma, nota-se que os principais desafios na redução da desigualdade entre as regiões brasileiras são estruturados no rompimento ético pelo sistema socioeconômico vigente. Nesse viés, é necessário que haja uma reconstrução ética, pautada no bem comum, para a atenuação desses efeitos negativos. Para isso, o Estado, como principal agente interventor, por intermédio do Ministério da Educação, deve promover essa estruturação adicionando à Base Nacional Comum Curricular um ensino de caráter reflexivo e altruísta, também, deve-se introduzir matérias como filosofia e sociologia ainda no ensino fundamental I e II. Desse modo, tornando o indivíduo crítico e dotando-o de valores, que mesmo quando inserido em um sistema corruptor, este possa optar por medidas que tenham como fim o bem estar social. Com isso, o sistema econômico se tornaria coadjuvante na promoção de uma nação mais igualitária, do mesmo modo, a nação correria rumo aos preceitos sartrianos.