ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 18/02/2021

A chegada da família real no Brasil, em 1808, iniciou uma série de favorecimentos a regiões específicas do território nacional. Naquele contexto, ao se instalar no Sudeste, mais especificamente no Rio de Janeiro, Dom João fomentou investimentos na arte, cultura e infraestrutura local, dando início a um ciclo de desigualdade entre regiões brasileiras. Com efeito, hodiernamente, apresenta-se como um cenário desafiador dirimir tal disparidade, que tem raízes no legado histórico e no pensamento elitista.

Deve-se pontuar, de início, que acontecimentos do passado contribuíram para a configuração dessa situação deletéria. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Desse modo, fatos como a industrialização das regiões Sul e Sudeste, na era Vargas, e a construção de Brasília, na década de 50, apresentam-se como injustiças, uma vez que a União recolhe impostos de todo tecido nacional, mas só investe em parte dele.

Outrossim, o pensamento elitista que ainda existe no Centro-Sul é outro fator que torna desafiador reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil. Segundo o IBGE, a região Sudeste é reponsável por aproximadamente 55% do PIB. Assim, é comum usarem esse dado para propagar opiniões simplistas e preconceituosas, como fez a deputada Joice Hasselmann, que, em recente entrevista no Flow Podcast, alegou que nordestinos eram preguiçosos e viviam às custas de São Paulo. Sendo assim, a resolução do problema fica comprometida, uma vez que o diagnóstico das causas é equivocado.

Torna-se imperativo, portanto, desenvolver medidas que ajam sobre a questão apresentada. Para que isso ocorra, o Ministério da Infraestrutura de criar um programa chamado “Descentralização Industrial”, no qual um investimento de 5% do PIB seja destinado às regiões Norte e Nordeste, a fim de criar mais indústrias nesses territórios e compensar o baixo investimento recebido no século passado. Por fim, a economia local será fortalecida, gerando empregos e reduzindo as desilguadades entre as regiões do Brasil.