ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 19/02/2021

Empatia é o ato de relacionar-se ao outro, sentindo o que ele sente, desejando o que ele deseja. Contudo, percebe-se que essa ação não é praticada em relação a pessoas com transtornos mentais, pois, no Brasil, ainda há preconceito contra essa parcela da população, resultando no agravamento de tal condição e em silenciamento. Dessa forma, cabe analisar o papel da escola e da sociedade, relacionada às mídias, em perpetuar esse estigma.

Em primeiro plano, é válido argumentar que a omissão das instituições de ensino contribui para que esse problema continue acontecendo. Isso se dá, pois, de acordo com a socióloga Ednéia Gonçalves, o ambiente escolar reproduz opressões presentes na sociedade, e isso é comprovado ao observar que não há o apoio de profissionais de saúde mental nas escolas brasileiras, resultando, assim, na falta de assistência aos alunos. Por conseguinte, percebe-se que isso tem como consequência indivíduos com transtornos como ansiedade e depressão, despreparados para lidar com tais problemas na vida adulta.       Em segundo plano, também cabe ressaltar que esse preconceito está intimamente ligado às questões comunitárias. Em “Ensaio sobre a cegueira”, do escritor José Saramago, é argumentado que o fenômeno de cegueira social, que é quando a sociedade ignora diversos problemas, é motivado por falta de empatia e interesse próprio. Isso fica mais evidente ao analisar as redes sociais, como Instagram e Facebook, onde todos aparentam ter uma vida perfeita, e se esforçam cada vez mais para conseguir validação dos outros. Sendo assim, é notável que a falta de debate sobre transtornos mentais, e consequentemente, o preconceito, são resultado da forma em que as mídias são utilizadas no Brasil atualmente, e precisa ser combatido.

Portanto, é necessário combater tal estigma, para que a população com problemas de bem-estar mental possa efetivar sua cidadania plena. Dessa forma, cabe ao Ministério da Saúde promover posts informativos e lives, por meio das redes sociais, como o Instagram, com psicólogos e psiquiatras, a fim de informar a população sobre os diferentes transtornos mentais, como se manifestam, e formas de tratá-los. Também é de extrema importância que o Ministério da Educação promova o debate sobre doenças como depressão, ansiedade e borderline no âmbito escolar, por meio de uma abordagem interdisciplinar, com a finalidade de promover a conscientização dos alunos, resultando em indivíduos mais equilibrados e empáticos.