ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 24/06/2021

A Organização das Nações Unidas, a partir de um índice de 2020, posicionou o Brasil entre os dez países mais desiguais do mundo. Dessa forma, há um englobado de assimetrias sociais associadas à vivência brasileira, atingindo todos os setores da sociedade. Com isso, as regiões nacionais também são afetadas por esses problemas segregatórios, acarretados, principalmente, pela potencialização do foco do Estado em polos econômicos e a ausência de ensino sobre a multiculturalidade nacional. Portanto, esses fatores constroem uma realidade de contraposição, assim, estruturando mais uma mazela contemporânea do Brasil.

Antes de tudo, o déficit de educação cultural existente é propulsor de uma convergência negativa entre as interações regionais.  O advogado Mahatama Ghandi, ao dissertar sobre a temática, cita que a lei de ouro da convivência é a tolerância mútua.  Entretanto, a ausência de ensino sobre as diferentes vivências do Brasil contribui para a geração da intolerância, impossibilitando a firmação da norma apontada por Ghandi. Nessa perspectiva, é importante ressaltar que o não entendimento de outras culturas resulta não só na inqualificação das relações existentes, mas também na xenofobia, visto que o incomum gera estranhamento, repulsão e um nativismo exagerado nos indivíduos.

Outrossim, uma desproporcionalidade na distribuição dos recursos às regiões territoriais ocasiona na intensificação da desigualdade entre as localidades. Uma pesquisa realizada pelo IPEA revelou que as regiões mais ricas do país recebem mais investimentos governamentais. Com isso, é indubitável que o Poder Público mantém essa assimetria econômica ao não fornecer igualitariamente o capital investidor para os governos estaduais, além do descaso em contornar essa realidade, corroborando na inferiorização social das localidades de menor PIB. Desse modo, os habitantes dos locais menos desenvolvidos são prejudicados por não possuirem infraestrutura e os recursos necessários para a manutenção de uma boa qualidade de vida.

Sendo assim, visando uma distribuição igualitária de recursos, o Ministério do Desenvolvimento Regional deve, por meio da criação de diretrizes, gerar investimentos para os estados brasileiros menos favorecidos, independe da região localizada. Além disso, a fim de finalizar a xenofobia existente, é de suma importância que o Ministério da Educação potencialize a difusão de conhecimentos acerca da multiculturalidade nacional, por intermédio de adventos midiáticos, como redes sociais e propagandas, e introduza assuntos relacionados às culturas nacionais nos livros didáticos. Dessa forma, essa mazela social estará finalizada e o Brasil sairá das posições mais altas do índice de desigualdade da ONU.