ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 30/03/2021
O patrono da educação brasileira, Paulo Freire, dizia que “a inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades". O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil passa pelo entendimento completo do cerne da questão: desigualdade não é um problema em si, mas sim um processo. Desta forma, há a necessidade de mirar nos pontos que atrasam o fim deste processo, que é a intervenção governamental indevida na economia e o aumento do poder aquisitivo gradativo das camadas mais pobres da população. Mas para isso, deve-se compreender como ocorre esta diligência.
A obra “Desenvolvimento em Perspectiva Comparada”, do economista Simon Kuznets, mostra por meio de dados históricos estatísticos, que a desigualdade elevada ocorre quando um país ou região estão passando por um processo de desenvolvimento industrial e tecnológico, ou sofrem interferências estatais regulares, o que torna a economia regional combalida. As áreas do Norte e Nordeste brasileiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são as que possuem menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e são conhecidas pelo seu atraso industrial e tecnológico em comparação a São Paulo, que possui o maior IDH do país e o maior número de indústrias instaladas. Além disto, os estados do Piauí, Bahia e Maranhão apresentam alta corrupção, segundo pesquisa de 2010 feita pela PUC do Rio Grande do Sul.
Neste mesmo livro, Kuznets explica didaticamente que no momento em que os pobres atingem certo patamar de riqueza, onde um sistema de bem-estar social se torna acessível aos seus participantes, há então um salto no IDH deste grupo. É aí que a desigualdade social começa a diminuir. Todavia, este fenômeno está intrínseco ao aumento do poder de compra desta população mais pobre. Ante a uma economia saudável, onde há liberdades de escolha de relacionamento profissional e empreendedorimos, e uma presença educacional ampla e apta para atender à evolução destes locais, é que há valorização fiduciária suficiente para aumentar o ingresso de bens e serviços aos integrantes da base da pirâmide social.
Nessa lógica, percebe-se então que a corrupção, má governança da coisa pública e o atraso tecnológico industrial dificultam a erradicação das desigualdades sociais no país. Assim, é imprescindível que os governantes melhorem (e muito) sua capacidade e eficiência administrativa, contrantando consultoria de compliance, treinando e capacitando os funcionários públicos para que desempenhem suas funções de maneira cada vez mais hábil com o intuito de melhorar a gestão, diminuir a corrupção, aumente o poder aquisitivo populacional e permita a previsibilidade da economia.