ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 12/04/2021
“Chorou, mas estava invisível, e ninguém percebeu o choro.” Ao sintetizar a indiferença ao outro nesse trecho da obra “Vidas Secas”, o escritor modernista Graciliano Ramos ressalta a ausência de empatia presente nas relações sociais contemporâneas. Contudo, esse desinteresse ao desepero alheio não se limita à arte, já que, na realidade, as vítimas da desigualdade entre as regiões do Brasil, por exemplo, também têm sido negligenciadas por parte dos governantes e da sociedade, o que dificulta a solução deste entrave. Nessa perspectiva, é interessante analisar essa questão no país.
Inicialmente, observa-se que falta ao Estado investir na infraestrutura de hospitais públicos nas regiões mais carentes. Isso porque uma pessoa residente do Nordeste, por exemplo, pode sentir o desejo de receber um atendimento de saúde sem se locomover de sua região. Entretanto, o receio de não encontrar hospitais com os equipamentos necessários para a realização de seus procedimentos tende a se configurar como um elemento de inibição. Dessa maneira, as pesquisas do psicanalista Sigmund Freud, de que o ser humano vive constantemente em conflitos internos entre seus impulsos inconsciêntes (Id) e a consciência dos limites sociais (Superego), são fortalecidos nesse cenário.
Além disso, enfatiza-se que a desigualdade entre as regiões é um reflexo dos estereótipos que existem na sociedade. Sabe-se, pois, que a assistência financeira estatal para a construção de escolas nas regiões mais pobres tem sido marginalizada, o que se explica a partir da crença, transmitida de forma cultural, de que tal ato configura-se como um desperdício de dinheiro governamental, desconsiderando, porém, que a educação fomenta a formação de indivíduos mais críticos e aptos para terem uma melhoria de suas condições sociais. Para compreender esse cenário, pode-se tomar como base os estudos do filósofo Friedrich Nietzsche, os quais constatam que a escassez de informações pode causar entendimento deturpado sobre a realidade.
Ressalta-se, em suma, que a desigualdade entre as regiões do país deve ser superada. Portanto, é necessário exigir do governo, mediante debate em audiências públicas, o investimento financeiro, priorizando verbas, a partir do ministério competente, para a melhoria das consições de suporte dos hospitais, com o objetivo de garantir o direito à saúde de todos os cidadãos. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância de se reconhecer as ideologias preconceituosas existentes acerca da construção de mais colégios nas regiões de grande discrepância econômica, potencializando, assim, a desconstrução da visão limitada de que tal atitide é um deperdício monetário. Dessa forma, a ausência de empatia ao desespero alheio ficaria restrita a “Vidas Secas”.