ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 07/04/2021
Na obra “Cidadanias mutiladas”, o geógrafo Milton Santos disserta acerca das disparidades sociais, sobretudo, no que se refere à desigualdade de acesso aos benefícios preconizados constitucionalmente. Fora das páginas, ao observar o desafio de reduzir as discrepâncias socioeconômicas entre as regiões do Brasil, verifica-se que a problemática carregada pelo autor persiste intrinsecamente relacionada à realidade atual do país. Nesse contexto, uma inoperância das esferas estatais e a vulnerabilidade social despontam como objetivos para a manutenção de uma sociedade igualitária.
De início, deve-se ressaltar as políticas públicas efetivas para combater as desigualdades entre as regiões do Brasil. Nesse sentido, segundo o Contrato Social - proposto contratualista John Locke - cabe ao Estado fornecer medidas que garantem o bem-estar coletivo. No Brasil, contudo, é evidente o rompimento desse contrato, visto que o Sul e o Sudeste, regiões com maior renda per capita, possuem uma ampla cobertura de serviços essenciais como o saneamento básico, por exemplo, em comparação ao Norte e ao Nordeste. Sob esse viés, tais disparidades socioeconômicas entre as regiões não só refletem o descaso das esferas estatais com a coletividade, mas também ferem um bem assegurado na Constituição: o direito à igualdade. Logo, é substancial a alteração desse quadro que vai de encontro aos direitos constitucionais.
Ademais, outro fator é responsável pelo problema: uma vulnerabilidade social. Essa perspectiva pode ser comprovada palavras pelas do renomado escritor brasileiro Ariano Suassuna, ao afirmar que é muito difícil vencer uma injustiça secular que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos. Nessa conjuntura, é possível exigir que uma precariedade do modo de vida de uma parcela da população impossibilita que inúmeros brasileiros, sobretudo os moradores das regiões Norte e Nordeste, desfrutem de direitos básicos, como, no caso, o acesso à dignidade e ao bem- estar social. Desse modo, enquanto a vulnerabilidade social não for combatida, a discrepância socioeconômica entre regiões persistirá.
Portanto, medidas são necessárias para diminuir as desigualdades. Para tanto, o Ministério da Economia, junto com o da Cidadania, deve criar, por meio da utilização de verbas públicas, o Plano Nacional de Integração Social, o qual consistirá no investimento em serviços essenciais, como o saneamento básico e o abastecimento de energia elétrica, sobretudo no Norte e no Nordeste, a fim de diminuir a vulnerabilidade social e promover a equidade entre regiões . Dessa forma, a cidadania será efetivada na sociedade brasileira e diferentemente da obra “Cidadanias Mutiladas” a falta de falhas do sistema governamental diminuirá a segregação.