ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 13/04/2021

No livro “Os Sertões”, do escritor brasileiro Euclides da Cunha, é apresentada a ideia da existência de “dois brasis”. O conceito citado faz menção à divisão entre a nação dos cidadãos da elite, alfabetizados e da zona urbana e os sertanejos, marginalizados e excluídos das políticas públicas. De forma análoga a situação retratada na obra, as divisões sociais perpassam as barreiras do tempo e persistem até o momento hodierno, culminando nas tão visíveis desigualdades sociais entre regiões. Sob tal ótica, é possível postular que o desafio da redução dessas iniquidades consiste na desconstrução social da xenofobia e no investimento estatal em regiões menos favorecidas economicamente.

Mormente, é lícito citar que o Brasil é um país extremamente preconceituoso, e esse preconceito é ingrediente-mor da perpetuação das assimetrias sociais entre regiões. Nesse seguimento, o sociólogo brasileiro Florestan Fernandes indica que a desigualdade social da nação surge como produto de uma sociedade criada sobre um ideário escravista e um culturalismo conservador do racismo. Desde os primórdios da composição da pátria, existe, no todo da população, uma parte que domina e outra que é dominada. Para o autor, enquanto essa divisão perdurar, as desigualdades em todas as esferas estão asseguradas. Nessa lógica, a xenofobia cresce como mais um fruto da histórica repartição social, que deixa de ser enxergada apenas entre etnias e passa a permear as regiões de uma mesma nação.

Outrossim, a falta de investimento equilibrado entre as regiões do país contribui veementemente para a manutenção das disparidades econômicas, políticas e sociais. De forma sucinta, durante o processo de urbanização e industrialização, o governo brasileiro estabeleceu a região sudeste como centro econômico do país, privilegiando-a em detrimento das demais e perpetuando a desproporção e desigualdade. Prova disso é que, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a média de médicos do sistema de saúde pública é de 3,7 a cada mil habitantes na região sudeste, enquanto na região norte é de somente 1,9. Dado o exposto, nota-se que as disparidades entre regiões são sustentadas pelas divergências de investimentos por parte do Estado em todos os aspectos.

Fica claro, portanto, que medidas devem ser tomadas com o fito de mitigar tais assimetrias. O governo, por meio do Ministério da Educação, deve implantar no programa de educação fundamental um conteúdo que verse sobre a xenofobia, através de textos de autoridades da área com o intuito de esmaecer o preconceito enrijecido no âmago das pessoas, desembocando numa sociedade mais igualitária. Ao mesmo tempo, por intermédio do Ministério da Economia, deve tornar justas as proporções de investimento nas regiões do país, com a criação de programas sociais em regiões mais carentes, para assim, pode diminuir as diferenças e tornar o país harmonicamente desenvolvido.