ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 11/04/2021
Desemprego, pobreza e violência. Essas são algumas consequências da desigualdade social existente no Brasil. No entanto, percebe-se que essa diferença não ocorre de forma igual em todo o país. Em algumas regiões, a miséria é superior que em outras. Segundo uma pesquisa realizada pelo IBGE em 2018, o Nordeste possui quase metade de toda pobreza existente no Brasil. Já a região Sul apresenta menos de 3% da concentração de pobreza no país. Isso se deve a diversas causas, como as diferenças econômicas entre essas regiões, e a desigualdade educacional, por exemplo.
Em primeira análise, observa-se que o Brasil, desde a sua formação, é um país de desigualdades, e a discrepância econômica entre as regiões ocorre devido a alguns fatores históricos e geográficos, como: a ocupação do território brasileiro, que ocorreu a partir do litoral, tornando essas localidades mais povoadas; a concentração industrial, nesses locais mais ocupados, e consequentemento o desenvolvimento do comércio e outras atividades econômicas. Com isso, o governo tende a direcionar a maior parte dos investimentos nessas regiões, como o Sul e o Sudeste. Isso ocasiona o desenvolvimento elevado de uma parcela da sociedade, e a miséria de outra, levando a divisão entre dois grupos: os que não comem e os que não dormem, segundo Josué de Castro.
Em segunda análise, e desigualdade educacional contribui para as diferenças entre as regiões. Segundo o educador Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco sem ela a sociedade mudará”. A educação é a base para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Basta analisar a diferença educacional no país: nas regiões mais pobres, o nível de analfabetismo é maior; em contraposição, nas regiões mais ricas, essa mesma taxa é menor. Com isso, entende-se a importância de investimentos nas políticas educacionais.
Portanto, é fundamental que as desigualdades entre as regiões do país sejam reduzidas. Nesse sentido, o Governo Federal deve realizar maiores investimentos nas regiões mais pobres do país, incentivando o desenvolvimento e emprego, para a inclusão produtiva da população mais pobre no mercado de trabalho. Dessa forma, esses indivíduos poderão participar da economia como consumidores e integrantes do processo de produção. Em adição, o Ministério da Educação deve ampliar e incentivar o acesso à escolas nas localidades mais pobres, criando programas de ensino especializados para todas as faixas etárias, desde a infância até a terceira idade, levando em consideração as especificidades dessas regiões. Somente assim será possível reduzir essas disparidades regionais, impedindo que o Brasil continue dividido nos dois grupos que o escritor Josué de Castro apontou.