ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 10/04/2021
Em “Por uma outra globalização”, obra do geógrafo Milton Santos, é retratado um processo desigual proveniente da globalização no Brasil. Desigualdade essa que gera um cenário perverso no país, no qual pessoas sofrem em um extremo, enquanto outras ignoram a situação. Fora do livro, percebe-se que o cenário escrito é fidedigno com a realidade brasileira atual e vê-se que as desigualdades encontradas em cada região são muito discrepantes. A partir desse prisma, é válido analisar o desafio da má distribuição de renda e a falta de acesso educacional, que geram a disparidade na nação.
Em primeiro lugar, segundo a Organização das Nações Unidas - ONU - o Brasil é o segundo país com maior concentração de renda do mundo, ou seja, pessoas com maior poder concentram grande parte da riqueza, enquanto os mais pobres são desfavorecidos. Assim, por consequência, regiões no país que possuem maior investimento e desenvolvimento também irão deter maior poder econômico entre os cidadãos. Desse modo, há um agravamento na má distribuição de renda no país, o que gera regiões menos desenvoltas e, por consequência, uma sociedade desnivelada. Além disso, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE -, metade da população vive apenas com 413 reais por mês. Nota-se, então, que para muitos não há, também, a garantia de salário mínimo, o que prejudica a vivência do cidadão.
Ressalta-se, ainda que a falta de acesso à educação de forma adequada agrava a situação da desigualdade social entre as regiões do país. De acordo com o IBGE, a evasão escolar entre os mais pobres é oito vezes maior que o normal e o principal motivo é a necessidade de trabalhar. Tal dado mostra-se mais evidente em regiões menos favorecidas, nas quais os indivíduos precisam ir em busca de trabalho pra auxiliar na renda familiar. Entretanto, a falta de uma instrução adequada prejudica a proficiência do cidadão e afeta seu desenvolvimento na sociedade. Porém, segundo o contratualista John Locke, é dever do Estado garantir os direitos básicos a todos, entre eles o acesso pleno à educação, que gera maiores possibilidades de desenvolvimento, e o acesso a uma renda justa. Nota-se, portanto, que é imprescindível que a desigualdade social entre as regiões seja combatida.
Para tanto, é preciso que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Economia, garanta a renda dos indivíduos, por meio do aumento do valor dos programas sociais em regiões que possuem maior desigualdade, a fim de garantir maior estabilidade aos cidadão. Faz-se necessário, ainda, que o Ministério da Educação faça campanhas acerca da evasão escolar, por intermédio de palestras nas escolas e propagandas nas mídias sociais, com o objetivo de assegurar melhor os direitos educacionais. Desse modo, então, o país descrito por Milton Santos não condizirá com a realidade do Brasil.