ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 10/04/2021

Na série brasileira “3%”, é retratada uma sociedade onde há uma divisão baseada nas classes sociais, na qual a elite que mora no “Maralto” tem todos os privilégios e, quem mora no “Continente”, tem que lutar para ser digno de acessar direitos básicos. Saindo da ficção, nota-se que a realidade brasileira não é muito distante da encontrada na teledramaturgia, uma vez que a disparidade social no território é um problema endêmico desde a colonização. A partir desse contexto, é válido discutir quais os principais desafios para reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil, bem como medidas para resolver tais problemas.

De início, é importante destacar que a alimentação, por exemplo, é um direito garantido pela Constituição, mas que, devido à má administração pública, torna-se um desafio para a integração social nacional. Segundo o geógrafo Josué de Castro, a fome que parte da população do norte e nordeste enfrenta, por exemplo, não é causada pela falta de alimentos, mas sim pela má distribuição de riquezas, concentradas cada vez mais nas mãos de menos pessoas, ocasionada pela falta de gestão pública. Dessa forma, a ausência de medidas que visem à equiparação de acesso aos direitos básicos se torna um desafio para reduzir as desigualdades entre as regiões colaborando, assim, para sua perpetuação.

É válido destacar, ainda, que o acesso heterogêneo a educação é um dos maiores desafios para redução das desigualdades no Brasil. Segundo o  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE, cerca de 6,8% da população do país não sabe ler e, destes, aproximadamente 60% são do norte e nordeste. Por consequência, tais regiões não se desenvolvem da mesma forma, o que leva a uma migração interna para a região sul em busca de melhoria de vida. No entanto, por não terem escolaridade, os migrantes, muitas vezes, acabam na extrema pobreza, ou seja, é como se aquele cidadão carregasse a desigualdade regional consigo e desse continuidade a ela aonde fosse por não ter tido acesso à educação.

Portanto, o Ministério do Desenvolvimento Regional – por alocar os recursos para o crescimento do país – deve reduzir a desigualdade das regiões por meio da redistribuição de verba. Tal distribuição se dará não mais pelo quantitativo populacional, mas sim pelo nível de acesso que aquelas pessoas de determinada área tem aos direitos básicos, visando oferecer mais a quem tem menos. Além disso, o Ministério da Educação, em parceria com os estados, deve investir na construção de instituições de ensino nas localidades mais pobres para que, assim, independentemente de renda, todos os brasileiros tenham acesso a esse direito básico. Dessa forma, os desafios para reduzir a desigualdade entre o “Maralto” e o “Continente” da sociedade brasileira serão resolvidos.