ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 13/04/2021
O Brasil tem uma rica variedade musical, que abordam diferentes perspectivas de um mesmo povo. Ao comparar a bossa nova, estilo que exalta o processo de urbanização e industrialização, propiciado pelo governo de Juscelino Kubitschek, nas regiões centro-oeste e sudeste, e o baião, estilo que retrata a realidade do nordestino que tinha que sair de sua terra em busca de melhores condições de vida, consegue ver isso nitidamente as diferenças regionais. Sob essa perspectiva, faz-se necessário observar como a desigualdade regionais construirão o Brasil atual, através de uma ilusão de desenvolvimento nacional, bem como o maior desafio a ser superado – a lógica presente na formação basal do Brasil.
É imprescindível, em primeira análise, compreender como na construção do país canarinho já havia a presença de desigualdades regionais. Ao tomar como base o pensamento das historiadoras Lilia Schawarcz e Heloisa Starling, a partir de “Brasil: um biografia”, no qual aponta para as idiossincrasias da sociedade brasileira. Dentre elas destaca-se a “difícil e tortuosa construção da cidadania”, pois mesmo que o país possua uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se prevê não se concretiza e não se dá de modo equitativo, isto é, o processo de desenvolvimento do país se dá em detrimento de outras regiões. Como exemplo disso, tem-se a política desenvolvimentista de JK em que visou o desenvolvimento das regiões centro-oeste e sudeste, enquanto desconsiderou das condições precárias que viviam parte da população nordestina.
Analisa-se, ainda, que o pensamento colonial ainda persiste na modernidade, sendo esse o maior desafio a ser superado. Ao tomar como base o pensamento do historiador Caio Prado Júnior, no qual afirma que o Brasil continua parecido com sua estrutura colonial, ao apontar que as regiões eram desenvolvidas exclusivamente para amparar os desejos dos metropolitanos, não dos colonos – atualmente, esse desenvolvimento está atrelado ao poder aquisitivo da população. Como indicativo disso, tem-se, segundo dados do IBGE, a região com maior participação do PIB, também é o que tem melhor IDH, região Sudeste.
Urge, então, a necessidade de sanar a ideia oriunda do Brasil colonial, que garante um desenvolvimento desigual entre as regiões do Brasil. Para isso, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Regional pesquisar os quesitos que impedem o engrandecimento das regiões. Isso por meio de uma associação com as Universidades Federais, após isso será constituída uma comissão com funcionário multicapacitados, para propor uma medida resolutiva, que seguirá para aprovação na câmara legislativa. Assim, haverá apenas diferenças culturais entre o cantar de Gonzaga e Vinícius de Moraes.