ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 12/04/2021

Durante o início da colonização portuguesa no Brasil, a região Nordeste destacava-se com a exportação de açúcar, contudo, com a descoberta do ouro e, posteriormente, com a produção de café, o fluxo econômico nacional alterou-se para o Sudeste. Nesse contexto, percebe-se que as desigualdades entre os estados do país é um problema construído ao longo do processo formativo nacional que, atualmente, encontra-se mais acentuado. Dessa forma, é importante analisar como a concentração dos investimentos financeiros e governamentais tornaram-se desafios para reduzir essa problemática.

A priori, é válido ressaltar que a maior aplicação econômica nos estados mais abastados do país representa o principal desafio para diminuir as desigualdades entre as regiões no Brasil. Tal perspectiva está associada à ideia do geógrafo Milton Santos, o qual afirma que existem quatro “Brasis”: as regiões Amazônica, Nordeste, Centro-Oeste e Concentrada. Segundo essa tese, as duas primeiras destacam-se pela falta de acesso aos mecanismos básicos de sobrevivência, já a última é marcada pela concentração de investimentos financeiros. Nessa lógica, o interesse do mercado representa um difícil obstáculo para reduzir essas disparidades, uma vez que as indústrias e empresas priorizam suas atuações em territórios mais privilegiados, como as cidades do Sul e Sudeste. Dessa maneira, o atual contraste regional é caracterizado não só pela diferença da renda entre os indivíduos, mas também pelas divergências de oportunidades de emprego e qualificação profissional, além da qualidade de vida.

Ademais, é necessário destacar que a negligência por parte do Governo representa outro desafio para reduzir as desigualdades entre as regiões no Brasil. Tal concepção baseia-se na teoria do sociólogo alemão Karl Marx, o qual afirma que a infraestrutura dirige a superestrutura, ou seja, o modelo econômico controla os diversos setores da sociedade, inclusive a atuação dos meios governamentais. A partir dessa perspectiva, observa-se como essa tese retrata a atual conjuntura nacional, em que os investimentos do Estado concentram-se nas regiões mais desenvolvidas do país. Desse modo, tal realidade agrava e dificulta a superação dessas disparidades, já que a qualidade de vida, como saúde e educação,  depende do nível econômico da população.

Logo, para reduzir as desigualdades regionais, o Estado, ator principal na proteção dos cidadãos, deve promover o crescimento socioeconômico das cidades mais carentes mediante a realização de parcerias com empresas nacionais, para que possam criar mecanismos que incentivem a implantação delas nessas regiões, visando aumentar as oportunidades para a população. Ademais, o Governo precisa melhorar a qualidade de vida dos sujeitos, por meio de maiores investimentos na infraestrutura dessas cidades, como saúde e educação, a fim de que os direitos constitucionais sejam garantidos.