ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 12/04/2021
A escritora Carolina Maria de Jesus utiliza a expressão “quarto de despejo” para metaforizar o papel das favelas nas cidades do país, em que esse termo representa um local de exclusão e invisibilidade. Contudo, ao se analisar a realidade brasileira, percebe-se que essa desigualdade não se restringe às metrópoles, mas também é visível entre as regiões do Brasil. Dessa forma, é válido apontar o predomínio do interesse financeiro e a negligência estatal como desafios para a redução desse cenário.
A priori, é preciso destacar que o fator financeiro representa o maior obstáculo para a superação das disparidades regionais, já que uma atuação secundária na economia nacional interfere no crescimento e na qualidade de vida dos lugares. Nessa lógica, essa problemática evidencia as ideias propostas pelo geógrafo Milton Santos, o qual aponta quatro regiões no Brasil: Amazônica, Nordeste, Centro-Oeste e Concentrada, em que nessa última situa-se o desenvolvimento comercial. Sob essa perspectiva, nota-se que essa divisão estabelece desiguais papéis sociais aos espaços brasileiros, nos quais diversos estados tornam-se subordinados aos centros econômicos. Nesse viés, esse cenário impede o progresso de muitas localidades, pois as submete a uma realidade de pouca atratividade, como a falta de tecnologia. Desse modo, tal exclusão mostra-se como um limitador para população e os serviços locais.
Além disso, é necessário citar que outro desafio para a redução das desigualdades entre as regiões do Brasil é a interferência desse fator financeiro na atuação negligente do poder governamental. Nesse sentido, esse cenário exemplifica as ideias do sociólogo Karl Marx, o qual afirma que a infraestrutura dirige a superestrutura, ou seja, as forças produtivas são responsáveis por determinar os vários aspectos da vida social. À vista disso, é perceptível que essa lógica manifesta-se nos investimentos discrepantes do Estado que, ao ser guiado pelos interesses econômicos, voltam-se para as zonas de maior poder aquisitivo do país. Nesse contexto, essa indiferença reflete-se na ampliação da exclusão social, visto que a distribuição desigual da verba pública prejudica o acesso da população aos seus direitos constitucionais, como educação, segurança e saúde de qualidade. Dessa maneira, a ganância dos atores políticos representa um grande entrave para a superação dos desequilíbrios regionais.
Logo, para diminuir as desigualdades entre as regiões, o Estado deve possibitar um crescimento equlibrado mediante o investimento em infraestruturas nas áreas excluídas e a realização de parcerias para a atração de empresas privadas, a fim de permitir a integração financeira. Ademais, esse órgão também deve criar um programa para atender as zonas carentes do país, voltada para a geração de empregos e ampliação dos serviços públicos, visando à superação dos “quartos de despejo” do Brasil.