ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 13/04/2021
Em sua obra Cão sem Plumas, o célebre poeta João Cabral de Melo Neto narra, através do curso do Rio Capibaribe, a trajetória de um imigrante da seca. Porém, mais do que retratar a história daqueles que chegam à zona da mata, o escritor conseguiu representar as disparidades sociais que alcançam a vivência de milhares de pessoas, quando ampliada para uma perspectiva nacional. Visto que tal desigualdade se acomoda em medidas regionais, faz-se pertinente debater acerca do desafio que é atenuar essa realidade no Brasil.
Nota-se, em primeira análise, que, não apenas promove a migração e superpovoamento dos centros urbanos, a falta de perspectiva diante das áreas menos prósperas do país se assimila com seus ciclos de imobilidade financeira. Ciclos esses que se iniciam, em suma, na falta de investimentos federais à educação, comércio e turismo, impossibilitando o fomento econômico com a criação de empresas, aumento do poder aquisitivo e ampliação do mercado consumidor. Sendo assim, o contraste de oportunidades veem lastimavelmente a fundar uma ordem onde os maiores estados crescem sem infraestrutura adequada, por enquanto que os menores seguem a passos lentos.
Vale ressaltar, ainda, que tal desequilíbrio é proveniente de décadas de indiferença com as áreas que não exportavam o vigente commodity de interesse financeiro até a primeira Revolução Industrial brasileira. Iniciada por Getúlio Vargas, a renovação utilizou do acúmulo de capital cafeeiro para a concentração fabril nos centros econômicos, sem a conscientização para integrar o país frente ao desenvolvimento. Em vista disso, os polos nacionais foram estabelecidos, e com a ininterrupção da estratégia, foram concretizados.
Em virtude dos fatos mencionados, pode-se iniciar uma analise do quanto a discrepância do quadro sociogeográfico brasileiro deprecia o potencial da população e como isso deve ser mudado. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as respectivas Secretarias Estaduais de Educação, investir nas infraestruturas escolares e universitárias das zonas de menor desenvolvimento humano através do maior repasse de verbas Federais para determinadas áreas. O estímulo ao ensino básico para o eventual ingresso no superior se torna imprescendível na criação de uma nação igualitariamente fortificada, onde todos trabalham para o avanço coletivo e têm seus esforços recompensados pela prosperidade de seu povo.