ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 13/04/2021
A obra “Os miseráveis”, do escritor Victor Hugo, retrata fortemente a injustiça social vivida na frança no século XIX, onde a desigualdade esteve presente durante todo o enredo da história. Fora da ficção, no Brasil do século XXI, percebe-se um contexto semelhante ao da trama: a injustiça impera no que tange às desigualdades entre as regiões brasileiras, criando um problema que carece de intervenção. Diante dessa perspectiva, faz-se necessário a análise dos fatores que favorecem essa problemática.
Em primeiro plano, deve-se ressaltar que a ausência de medidas governamentais restringe a cidadania dos indivíduos. Seja pela dificuldade do governo em administrar recursos em um território de dimensões continentais, seja pela falta de interesse dos órgãos públicos em promover a igualdade entre as regiões do Brasil. Essa conjura, segundo o filósofo John Locke, configura-se como uma quebra do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de reduzir as desigualdades entre as regiões brasileiras, o que infelizmente mostra-se presente no cenário atual brasileiro.
Outro ponto relevante, agindo nessa temática, é a falta de investimento nas regiões marginalizadas do brasil que impulsiona consequentemente o problema. Sob esse viés, sabe-se que a base de uma sociedade capitalista é o capital, como explicam filósofos como Karl Marx. Nesse sentido, para serem resolvidos problemas dentro de um contexto capitalista, faz-se necessário investimento financeiro. No entanto, há uma lacuna de investimento quando se observa a questão da disparidade econômica entre as regiões brasileiras, que tem sido negligenciada, o que torna sua solução mais difícil de ser alcançada.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Dessa forma, o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União devem fiscalizar o destino dos investimentos brasileiros, a fim de remanejá-los a áreas que mais necessitam. Para que tal destinação seja coerente com a realidade brasileira, estes órgãos podem criar consultas públicas, nas quais a população interaja e aponte questões como a desigualdade entre as regiões brasileiras, que precisam ser resolvidos com urgência. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe para a problemática com mais empatia, pois, como descreveu o poeta Leminski: “Em mim, eu vejo o outro”.