ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 04/05/2021
Na série “3%”, criada por Pedro Aguilera, após o planeta ser devastado, a população fica dividida entre lugares com condições de vida díspares, o Continente, um local precário onde vive a maioria dos cidadãos, e o Maralto, vendido como uma ilha paradisíaca, almejada e sonhada por todos. De maneira análoga a essa ficção, as regiões do Brasil apresentam uma enorme disparidade econômica, visto que a condição financeira dos brasileiros é totalmente distinta. Essa desigualdade regional é uma problemática difícil de ser amenizada, uma vez que está relacionada a diversas diferenças em questão de desenvolvimento, como na renda per capita e nas políticas regionais.
Em primeira análise, evidencia-se que a concentração de riquezas e de investimentos em uma área em detrimento da outra corrobora para um cenário desequilibrado na nação. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, o Nordeste registrou o menor rendimento médio mensal (R$ 971), enquanto o Sudeste, o maior (R$ 1.839). Logo, as condições rentáveis dos nordestinos não são tão favoráveis quanto das pessoas que vivem nas demais regiões do país, onde são mais elevadas a renda per capita, a qualidade de vida, a expectativa de vida e a qualidade dos serviços públicos, ao passo que são mais baixos os índices de mortalidade infantil e de analfabetismo.
Outrossim, nota-se que as políticas regionais são essenciais para diminuir as desigualdades sociais no Brasil. Entretanto, segundo a Folha de S. Paulo, foram extintas, em maio de 2001, as Superintendências de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Amazônia (Sudam) e as respectivas modalidades de incentivos fiscais para as regiões Nordeste e Norte do país. Isso sucedeu das denúncias de desvios de recursos públicos que seriam destinados para projetos de desenvolvimento. Nessas circunstâncias, o que deveria ser desenvolvido acabou virando fraude. Dessa forma, a solução do contraste regional se torna mais complexa e distante.
Em vista dos fatores supracitados, então, cabe ao Governo Federal e aos governos dos estados que se enquadram em tal situação desenvolver políticas de incentivo à geração de empregos em regiões onde a renda per capita é mais baixa e promover o desenvolvimento das regiões onde há mais pessoas em situações de vulnerabilidade social. Assim, será possível reduzir as desigualdades regionais no Brasil, nivelando a renda e as condições de todos os brasileiros, independentemente de onde vivem.