ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 01/05/2021
O advento da globalização proporcionou mudanças marcantes no cenário mundial com a sua ideologia de integração econômica, social, cultural e política. Seus efeitos, embora positivos, conferiram consequências exponenciais, como o aumento da desigualdade social. Sob uma perspectiva brasileira, há um grande desafio regional, que possui um legado histórico-social enraizado desde a colonização, que está relacionado com uma diferença econômica e educacional, ocasionando um maior aumento dos indicadores de desigualdade.
A princípio, é lícito destacar que o processo de industrialização brasileira favoreceu a região Sul e Sudeste. O desenvolvimento industrial nessas regiões partiu do declínio do café, nos quais os grandes produtores cafeeiros com a venda das suas terras investiram em indústrias. O início dessa ascensão industrial culminou privilégios econômicos e sociais, como a grande concentração de riquezas, o acesso às tecnologias para aprimoração das indústrias e oportunidades de emprego. Essa hierarquia regional favoreceu, incontestavelmente, à uma exclusão das demais regiões, gerando, assim, altos níveis de pobreza e desemprego, que deflagram no aumento da desigualdade social.
Outrossim, é necessário ressaltar que os efeitos negativos da ausência de educação faculta para o aumento da desigualdade. De acordo com a PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio –, as regiões Norte e Nordeste possuem o menor índice de escolaridade. Tal fator está intrisecamente relacionando com a falta de recursos públicos, à precárias infra-estruturas educacionais, à inoperância de um Estado, desse modo a maioria dos recursos são destinados às regiões mais valorizadas. Consoante a isso, a diminuição desses índices promove um aumento nas taxas de analfabetismo; a inserção de jovens à criminalidade e o desemprego por desqualificação profissional, tornando estes indivíduos marginalizados pela sociedade.
Em síntese, é notório que os desafios regionais estão relacionados com as diferenças econômicas e sociais, uma vez que estas contribuem para o aumento da desigualdade. Sendo assim, cabe ao Governo Federal elaborar um plano de ampliação das estratégias de renda, como o Bolsa Família, a fim de garantir as demandas básicas da população das regiões mais afetadas. Ao Ministério da Educação, o aumento de verbas destinadas às escolas públicas, uma vez que o principal fator de redução da desigualdade social é o investimento na educação.