ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 18/05/2021

“Nenhum pé de plantação. Por falta d’água, perdi meu gado, morreu de sede meu alazão”, trecho da música Asa Branca, do compositor nordestino Luiz Gonzaga, retrata dificuldades, como a fome narrada na canção, enfrentadas por algumas regiões brasileiras. Nessa perspectiva, a realidade da melodia se estende por diversas áreas da sociedade, em que se mostracomo reflexo das desigualdades regionais presentes no cotidiano da maioria dos indivíduos. Nesse contexto, fatores, como a disparidade educacional e sanitária, devem ser analisados.

Dianto disso, é fulcral pontuar sobre a Constituição Federal (CF) de 1988. Segundo o documento jurídico mais importante do país, artigo 205, a educação é um direito de todos e dever do estado, em que se busca a garantia do pleno desenvolvimento da pessoa e do seu preparo para o exercício da cidadania. Contudo, o cenário educativo brasileiro, majoritariamente, é antagônico à constituição apresentada, visto que, os investimentos não são feitos proporcionalmente às necessidades, pois regiões de maior potencial econômico são privilegiadas com elevados recursos, enquanto regiões, como o nordeste, por não se encaixarem no perfil, como São Paulo e Rio de Janeiro, recebem investimentos desproporcionais à sua carência. Logo, depreende-se quão desigual é a educação brasileira, já que tal quadro deletério desvaloriza a situação estudantil das classes mais baixas.

Além disso, cabe pontuar sobre o panorama da saúde no contexto brasileiro vigente. Segundo o poeta nordestino Ariano Suassuna, o Brasil é dividido em dois países distintos: privilegiados e despossuídos. Sob tal ótica, percebe-se a veracidade poética diante da conjuntura hodierna, posto que, embora a saúde seja um direito garantido constitucionalmente, em seu artigo 196, não há igualdade em relação ao seu acesso. Assim, comumente, faz-se necessário um deslocamento para outras regiões, por consequência de melhores recursos e tratamentos de saúde presentes. Desse modo, a disparidade social de ambientes em detrimento de outras é indiscutível, necessitando de urgentes intervenções.

Portanto, medidas são necessárias para atenuar a problemática. Urge que o Ministério da Economia invista na educação e na saúde das áreas mais precárias, por meio do levantamento de pesquisas de órgãos como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que fará a identificação  e mapeamento das regiões carentes de recursos sanitários e educacionais, através da Síntese de Indicadores Sociais(SIS), que visa contemplar a heterogeneidade da sociedade brasileira sob uma perspectiva das desigualdades sociais, a fim de resolver a problemática e tornar o acesso a educação e saúde proporcionalmente iguais nas regiões brasileiras. Por certo, ocorrerá a minimização gradativa das desigualdades regionais, visto que os direitos constitucionais serão garantidos aos cidadãos.