ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 18/05/2021
O Modernismo, movimento literário brasileiro do século XX, deixou como legado obras de artistas de diversas partes do país, da Bahia de Jorge Amado ao Rio de Janeiro de Vinícius de Moraes. Tal diversidade, todavia, está longe de ser um fato celebrado e valorizado na contemporaneidade. Na realidade, ela contrapõe-se às desigualdades presentes, sendo a regional uma delas, dada as proporções geográficas continentais do Brasil.
Em primeiro plano, a desigualdade regional possui uma herança histórica. Isso se explica porque, desde o seu descobrimento, o Brasil foi ocupado a partir do litoral, fazendo com que essa parte do país recebesse mais investimentos e fosse mais povoada. Nesse sentido, tal realidade não se modificou, haja vista que o Sudeste, região mais desenvolvida, possui o maior Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo gráficos disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessa forma, é nítido o abismo construído entre as regiões brasileiras ao longo dos séculos.
Aliado a isso, é válido ressaltar as consequências dessa desigualdade para a população das regiões coadjuvantes do país. Seguindo essa premissa, no ano de 2020, o Estado do Amapá, localizado na região Norte do país, passou por uma crise de energia elétrica ao sofrer um apagão que durou semanas, fato esse que prejudicou os serviços de internet e telefonia, além da falta de água mineral para a população. Tal cenário configura-se como uma injustiça, segundo o filósofo Aristóteles, uma vez que o artigo 5º da Constituição Federal de 1988, que prega o princípio da isonomia, não está sendo cumprido, o que demonstra sua fragilidade. Com isso, é nítida a necessidade de uma atuação mais contundente do estado para contornar essa realidade excludente.
Portanto, medidas para reduzir a desigualdade regional no Brasil devem ser tomadas. Para tanto, cabe ao Estado, em parceria com o IBGE, realizar um amplo estudo do país, por meio de pesquisas em domicílio e da compilação de dados virtuais do governo federal, com intuito de evidenciar as regiões que necessitam de maior repasse de investimentos e, desse modo, possibilitar um mapeamento mais assertivo de políticas públicas e necessidades de cada região, como o Norte do país. Assim, poderemos retornar aos ideais modernistas e valorizar a multiplicidade do Brasil.