ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 18/05/2021

Em “Morte e Vida Severina”, do escritor pernambucano João Cabral de Melo Neto, o protagonista Severino migra do sertão para a capital em busca de melhores condições de vida. Reflexo do poema, o Brasil configurou a sua geografia seguindo as possibilidades de lucro, marginalizando áreas, como é observável no livro e a transição entre os ambientes por onde Severino passa. Por isso, torna-se necessária a análise do impacto das divergências econômicas na construção regional brasileira.

A princípio, com a fixação dos portugueses no Brasil colonial, estabeleceu-se a preferência por territórios litorâneos, cobertos pela Mata Atlântica e seus solos férteis, adequados para a expansão da cana-de-açúcar, em detrimento do avanço ao interior desconhecido. Devido a troca da plantação açucareira pela exploração aurífera, o eixo econômico se instalou no Sudeste, recebendo os fluxos migratórios e, em 1808, a instalação da Corte portuguesa, até culminar na produção cafeeira. Enquanto o café perpetuava o protagonismo sudestino, outras regiões minguavam, principalmente o Norte e o Nordeste, ampliando a desigualdade existente, perceptível na atualidade.

Nessa perspectiva, segundo o geógrafo Milton Santos, em seu livro “Por uma outra globalização”, as políticas econômicas nacionais estão se dirigindo para o lado perverso da globalização, acentuando as divergências entre as regiões e as mazelas sociais.| No início de 2021, a cidade de Manaus, no Amazonas, sofreu com a falta de oxigênio em hospitais, em um dos ápices da pandemia do novo coronavírus. Consequentemente, a comoção nacional, proveniente de mobilizações virtuais, levantou reflexões acerca das dificuldades enfrentadas nos diversos ambientes que compõem o Brasil, ecoando as considerações realizadas por Milton Santos.

Portanto, diante da expressiva desigualdade permeada no país, é dever do Ministério do Desenvolvimento Regional, através da Sudam e Sudene, órgãos responsáveis por coordenar e promover a integração da região Amazônica e do Nordeste, disponibilizar mais recursos para o fomento a políticas assistencialistas, como o Bolsa Família, que envolve a transferência direta de renda, garantindo o acesso aos serviços básicos de saúde, educação e segurança. Dessa forma, priorizando-se a cooperação entre as regiões para o desenvolvimento da nação, poderá ocorrer o estabelecimento de qualidade de vida comum aos brasileiros e a superação da globalização perversa.