ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 07/06/2021
No filme “O poço”, é mostrada uma espécie de prisão em que as pessoas são separadas por andares e uma plataforma desce com comida, quem está nos níveis mais altos, além de comer em excesso, ainda inutiliza o que fica para os demais. Em consonância com a realidade da película, está a das regiões brasileiras, visto que, assim como no poço, algumas localidades são mais privilegiadas que outras, o que configura as desigualdades regionais. Nesse contexto, é válido analisar como os fatores históricos e negligência do governo contribuiem para a manutenção dessa problemática.
Diante desse cenário, é importante destacar que os desafios para reduzir as desigualdades regionais possuem raízes históricas. Nesse sentido, é sábido que o processo de ocupação do território brasileiro se deu a partir do litoral, transformado essa parte do país de forma mais intensa. Desse modo, tanto a cultura do café como a industrialização concentraram-se em regiões litorâneas, como o sudeste, enquanto o interior foi ocupado e industrializado tardiamente. Por analogia, constata-se que, assim como no passado, o carácter de privilegiar algumas áreas em detrimento de outras se mantém, já que hoje, as regiões mais ricas ficam justamente no litoral. Dessa forma, é correto afirmar que essa desigualdade regional constituir um “Habitus”, conceito cunhado por Bourdieu, o qual se refere as estruturas internalizadas e passadas ao longo das gerações. Logo, a melhor maneira de resolver esse problema é desconstruído esse “Habitus”.
Aliado a isso, a falta de atuação do governo também é um entrave para a redução das desigualdades. Sendo assim, segundo o contratualista Jonh Locke, o estado nasce para assegurar direitos naturais dos indivíduos. Contundo, a forma desigual como é tratada as diferentes regiões vai de encontro ao que defende Lock. Segundo dados do IBGE( Instituinto de Geografia e Estatistica), a região sudeste conta com um dos maiores IDH do país, índice que leva em consideração a qualidade de vida da população, já as regiões Norte e Nodeste apresentam os piores indicadores. Nessa lógica, as localidades mais desevolvidas economicamente são as que apresentam os melhores indicadores sociais, pois os recursos, como saúde e educaçaõ, não são distruibuídos com base na necessidade, mas de acordo com a riqueza de cada estado.
Portanto, o Ministério da Economia- órgão que tem a função de assesorar a presidência- deve, por meio de uma articulaçaõ com estados e municípios, criar programas de ajuda finaceira para as regiões mais afetadas pelo processo de desigualdade, a partir da distribuição equânime de recursos e serviços, com a finalidade de corrigir falhas históricas. Assim, será possível evitar que as regiões brasileiras continuem a reproduzir o cenário do filme “O poço”.