ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 15/06/2021
Em sua obra “Vidas Secas” Graciliano Ramos ilustra as mazelas do sertão nordestino, denunciando as disparidades desenvolvimentistas em relação aos demais estados do país. Analogamente, nota-se no Brasil os empecilhos para o combate das desigualdades entre as regiões, fundamentados em aspectos históricos e defasagens governamentais, que perpetuam o atraso e a pobreza no Norte e Nordeste da nação.
Em primeira análise, conforme o pensamento do sociólogo alemão Karl Marx, a historicidade evidência as dessemelhanças socioeconômicas de um povo. Mediante ao elencado, a decadência dos engenhos de açúcar nordestinos no século XVII, a descoberta de jazidas de ouro em Minas Gerais e a eventual transfusão da capital brasileira para o Rio de Janeiro, além das reformas urbanas realizadas pela corte portuguesa na localidade, com sua chega em 1808, proporcionaram o enriquecimento e dinamização industrial e econômica do Centro-Sul nacional, em detrimento do abandono e marginalização das populações nordestinas e nortistas, que conservaram seu cárater colonialista conjuntamente com problemas estruturais, como a carência de recurosos básicos.
Por conseguinte, tais acontecimentos são refletidos na atualidade, uma vez que segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as regiões Norte e Nordeste apresentam os menores PIBs (Produto Interno Bruto) e IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano), quando comparados a outros territórios. Destarte, no que tange a atuação de políticas públicas voltadas à educação e saúde, torna-se perceptível o monopólio dos melhores centros educacionais e hospitalares no Sudeste e Sul do país, tendo em vista sua ampla atração de capital. Em contrapartida, os brasileiros nortistas e nordestinos sofrem com a negligência governamental, como exposto por pesquisas realizadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que demostraram que durante uma pandemia da Covid-19 no ano de 2020, tais regiões apresentaram o maior número de estudantes afastados das escolas, além de terem recebido menores recurosos para o combate ao vírus.
Infere-se, portanto, a necessidade da promoção da equidade social entre as regiões. A começar, pela criação de programas sociais e ações afirmativas, pelo Ministério da Cidadania, que visem a inserção de subsídios nos âmbitos da saúde e educação no Norte e Nordeste, possibilitando a reparação histórica das desigualdades e a melhora na qualidade de vida. Ademais, a promoção de incentivos financeiros nas localidades, através do Ministério da Economia, tendo por finalidade atrair investimentos das grandes empresas e indústrias, colaborando para o dinamismo econômico e combate do desemprego.