ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 13/08/2021
Na obra ‘‘Capitães da areia’’, o autor Jorge Amado explora a realidade de um grupo de meninos em situação de rua na cidade de Salvador, destaca as desigualdades sociais e também o descaso das autoridades a respeito daquela realidade. Com a ditadura do Estado Novo, em 1937, exemplares do livro foram queimados e a obra, censurada. Tal acontecimento reflete a postura conservadora adotada em diversos períodos históricos do país, o que resultou ao Brasil, segundo o FMI, o posto de país com maior desigualdade entre regióes. Dessa forma, a falta de oportunidades e de investimento estatal no bem-estar nacional são alguns dos desafios para a redução das desigualdades regionais do Brasil.
Primordialmente, as disparidades no cenário educacional dificultam a quebra do ciclo vicioso da desigualdade. A exemplo disso, no Nordeste, a taxa de analfabetismo chega a 14,8%, correspondendo ao dobro da média nacional: dos 11,8 milhões, 6,5 milhões vivem nessa região. Dessa maneira, a formação escolar precária e irregular colabora para preservar discrepâncias econômicas e sociais pois, de acordo com especialistas, cada ano de escolaridade implica em um aumento de renda da ordem de 10% a 20%. Sendo assim, a assimetria de chances para uma formação acadêmica e posição favorável no mercado de trabalho faz com que, muitas vezes, faltem perspectivas para os moradores da região.
Outrossim, a extinção de políticas de apoio econômico contribui para o lento desenvolvimento evidenciado nas regiões Nordeste e Norte. No século XX, foram sucateadas e depois fechadas as superintendências regionais de desenvolvimento Sudene e Sudam, porém, mesmo reimplantadas novamente, nunca atingiram o objetivo principal de equiparar a realidade brasileira. Em 2020, de acordo com o IBGE, o aumento da desigualdade ocorre no Nordeste pela perda de renda dos mais pobres, consequencia do corte de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, enquanto no Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte houve redução. Nesse sentido, o investimento do Estado se faz indispensável.
Portanto, é necessário que o Ministério da Educação atue na redestribuição de investimentos e iniciativas a fim de reparar as defasagens educacionais em todos os níveis de ensino, o que a longo prazo levará à formação adequada e, por consequência, cidadãos mais preparados e qualificados. Além disso, cabe ao Ministério da Economia garantir a renda mínima para todas as famílias ao ampliar projetos como, por exemplo, o Bolsa Família, visto que é urgente que todos possam garantir as demandas mais básicas a curto e a médio prazo. Assim, com mais oportunidades e acesso aos direitos garantidos pela Constituição Brasileira - à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade -, as desigualdades poderão ser amenizadas.